Novembro 5, 2009

Site da Casa Branca pode não ser…da Casa Branca

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Em um inusitado lapso de segurança e de informação, a Casa Branca (White House, residência oficial do presidente dos Estados Unidos e símbolo do poder executivo naquele país) deixou de registrar o nome “whitehouse” nos domínios .com e .org.

Resultado: quando se clica em www.whitehouse.org  a busca é direcionada para um site humorístico que satiriza a…Casa Branca. O site oferece camisetas parodiando a base militar e presídio americano de Guantanamo e pôsteres “patrióticos” estampados por George W. Bush.

E o internauta que clicasse em www.whitehouse.com caia em um site pornográfico – que aproveitou-se o quanto pôde do prestigiado nome (veja um texto a respeito) até que passou o dominio adiante em 2008.  Atualmente, ao clicar-se na URL cai-se em uma página em branco com dizeres pouco compreensíveis.

Em tempo: o site oficial da Casa Branca é: www.whitehouse.gov

Já no Brasil, o pessoal do Palácio do Planalto parece mais antenado. Quando clica-se em www.presidencia.org.br vai-se para uma página em branco; o site oficial da Presidência da República é www.presidencia.gov.br

 E a propósito: quando colocamos www.presidencia.net  aparece o seguinte aviso: For Sale Domain!

Candidatos?

 

Novembro 3, 2009

Pausa para: cartum

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“Eu estou ótimo, mas Clark Kent não consegue encontrar um jornal que esteja contratando!”. Peguei no blog do Ricardo Lombardi.

Outubro 21, 2009

Uma nota sobre preços & lucros

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 Imagem:  Poster Boy Subway Art

Folheando o livro “Marketing para o Século XXI”, do consultor e professor americano Philip Kotler, me deparei com uma tabela curiosa. O autor (provavelmente citando dados de terceiros) apresenta estimativas de quanto sobe o lucro das empresas quando estas aumentam seus preços. Reproduzo abaixo.

Quando um produto sobe de preço 1%, quanto aumenta o lucro da empresa que o comercializa?

Para a Coca-Cola o lucro sobe 6,4%

Fuji Photo – 16,7%

 Nestlé – 17,5%

Ford – 26%

Philips – 28,7%

 (página 130; o livro é de 1999).

Outubro 15, 2009

Pausa para: intervenção urbana

Um grupo da Suécia (patrocinado pela Volkswagen, ressalto) quis saber o que faria as pessoas utilizarem a escada normal em vez da rolante na saída do metrô. Vale pela sacada:

Outubro 14, 2009

O nosso bairro é sempre mais tranquilo

 

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Imagem: Banksy

Conversando recentemente com uma socióloga especializada em segurança pública, ela me disse uma coisa curiosa. Tanto nas cidades brasileiras, como ao redor do mundo, as pessoas, nas pesquisas, sempre dizem que seu bairro é menos violento do que o restante da cidade. Uma das explicações é que  olhamos nossa vizinhança com lentes de afetividade, favorecendo uma percepção benevolente.

Isto me fez lembrar como o noticiário sempre tem uma carga negativa grande – fatos positivos raramente são “notícia”. Talvez as pessoas sintam-se mais confortáveis ao perceber os perigos do mundo alhures, via TV ou jornais, lá no Afeganistão, na África ou…em qualquer lugar que não seja seu bairro.

Outubro 5, 2009

Um roteiro pelo Rio de Janeiro dos escravos

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Imagem: Unipop_es  

Li recentemente, e já “postei” a respeito, o ótimo livro “A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850”, da historiadora norte-americana Mary C. Karasch. Ela esmiúça a vida dos escravos no Rio na primeira metade do século XIX, apoiada em extensa documentação. Muito interessante.

A partir desta leitura, elaborei um breve roteiro turístico-histórico. O roteiro:

Passeio 1: o Valongo

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 Foto: O Valongo em pintura de Jean-Baptiste Debret

Entre 1800 e 1850 passaram pelo mercado de escravos do Valongo cerca de 1 milhão de africanos, provenientes principalmente de Angola, Congo e Moçambique. O mercado, na verdade um conjunto de casas ou “armazéns”, ficava num vale entre os morros da Conceição e o do Livramento, na região do cais (10 minutos a pé da atual Praça Mauá).

No local descrito pela historiadora há hoje, na subida para o Morro da Conceição, a ladeira do Valongo (uma travessa estreita que sai da Rua Camerino). Subindo a ladeira – e após passar por um conjunto de casebres — você tem uma vista do vale e é possível imaginar, com algum esforço, como era a área 200 anos atrás.

 No cume do Morro há uma unidade do Exército e um observatório astronômico da UFRJ. Não há referência ao antigo mercado – nenhuma placa, nada. A única lembrança histórica visível encontra-se materializada na praça abaixo, em um obelisco, onde lê-se que o “Cais do Valongo” foi reformado nos idos de 1840 para a recepção a uma Imperatriz que casar-se-ia com D. Pedro II. E é tudo.

 E do lado oposto, subindo-se a ladeira do Livramento, dominada por casarões do início do século XX, muitos dos quais transformados em cortiços, chega-se a uma torre de transmissões da Embratel. De lá é possível avistar, virando-se as costas para a região do Cais, a Central do Brasil e o Campo de Santana.

 Passeio 2: o Campo de Santana

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O Campo de Santana em 1818, na concepção de Franz Josef Frühbeck e abaixo a vista aérea nos tempos atuais.

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Em seu livro Karasch diz que o Campo de Santana (na região central, atual Praça da República) foi um ponto importante para a vida social dos escravos, que para lá iam, particularmente aos domingos, em suas horas de liberdade (outro local de reuniões era a Praça Tiradentes, não muito longe dali). Eram ocasiões festivas, com música e dança. A historiadora reproduz a descrição de um desses momentos feita por um mercador inglês chamado Robertson, que em 1808 achou que “não havia nada igual fora da África”.

 Escreveu o viajante: “Em frente avançavam os grupos das várias nações africanas, para o campo de Sant´Ana, o teatro de destino da festança e algazarra. Ali estavam os nativos de Moçambique e Quilumana, de Cabinda, Luanda, Benguela e Angola (…). A densa população do campo de Sant’Ana estava subdividida em círculos amplos, formados cada um por trezentos a quatrocentros negros, homens e mulheres. Dentro desses círculos, os dançarinos moviam-se ao som da música que também estava ali estacionada; e não sei qual a mais admirável, se a energia dos dançarinos, ou a dos músicos”. (Karasch, pág 326).

 Posteriormente, as autoridades proibiriam as grandes concentrações de escravos, consideradas “perturbações da ordem pública”, nas palavras de Karasch (embora, frise a historiadora, a proibição não tenha surtido totalmente efeito, tendo os encontros perseverado).

Fui ao Campo de Santana para tentar identificar algum rastro deste passado. Ficava por lá, também, um dos principais pelourinhos da cidade. Era ainda local para vendas públicas de escravos. Mas, mesmo com estes elementos significativos – e assim como no Valongo –, não há pistas.

Ponto de passagem, a algumas centenas de metros da Central do Brasil, de onde partem os trens para as zonas oeste e norte da cidade, chama a atenção no parque, a despeito de seus ares decadentes, suas belas árvores e capivaras, que andam a solta. É certo que o local foi palco de grandes “momentos históricos”, nos dizeres da Wikipedia, como a coroação de D Pedro I e a Proclamação da República, conforme nos lembra, também, um desgastado monumento eregido no centro do Campo. Mas  creio que não faria falta ao menos uma plaquinha no local, algo como: “E aqui reuniam-se na primeira metade do século XIX os escravos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro em seus momentos de liberdade, aos domingos…”, lembrando, talvez, como aponta Karasch, que quase a metade da população da cidade no período era de cativos, em grande parte africanos, que trouxeram consigo diversas culturas, ricas em línguas (ioruba, kikongo, quimbundo), hábitos, crenças (diferentes religiões), culinária (pirão, angu), musicalidade (tambores de diversos tipos, marimbas) , sabedorias etc.

Passeio 3 — Igreja Nossa Senhora do Rosário

 A Igreja Nossa Senhora do Rosário (metrô Uruguaiana) é uma das poucas construídas e fundadas na cidade por irmandades de escravos e libertos. No fundo desta igreja funciona atualmente o Museu do Negro.

 Ocupando um corredor e uma sala, o Museu é acanhado, com imagens de santos (como a de São Benedito, depositário de bilhetes pedindo graças), um busto de Zumbi dos Palmares (que recebe homenagens dos devotos), um pequeno mapa com os fluxos do tráfico negreiro da África para o Brasil a partir do século XVII, fotos de procissões da Irmandade nos anos 1950 (curiosamente a maioria dos que aparecem nelas é de brancos), uma palmatória de madeira, além de retratos de pessoas negras de destaque, como o de um Marechal do Exército (que agora me escapa o nome) e o da ex-governadora Benedita da Silva.

Já a Igreja propriamente dita é toda reformada, pois pegou fogo nos anos 1960, informa uma tabuleta de metal na entrada.

 E na sala escura e quente da nave lateral onde queimam-se as velas, há duas reproduções de pinturas com homens trabalhando o que parece ser uma moenda de cana; é difícil distinguir por conta do negrume. Dali é possível ver por uma fresta a calçada do lado de fora, onde, ao alcance dos braços, uma mulher toda de branco monta diariamente uma tenda para consultas – quase ouve-se sua voz lá de dentro.

Pode-se sair deste breve roteiro com a impressão de que as pessoas teriam muito a ganhar se fossem oferecidos nos espaços públicos (via monumentos, placas, exposições criativas) resquícios mais amplos (e generosos) de nossa história. Se, como já sugeriu o cientista político americano Benedict Anderson, as nações são “comunidades imaginadas”, é certo que o acesso a informações mais diversificadas nos estimularia a sonhá-las, quem sabe, em tons mais coloridos.

Setembro 30, 2009

Pausa para: cartum

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“Eu não quero uma maçã, Danny — você tem algum dinheiro?”  (peguei no blog do Ricardo Lombardi)

Setembro 29, 2009

As empresas que fornecem armas para os EUA

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Imagem: rsconnett

Acabo de ler um livro excelente: O Senhor Embaixador, do Erico Veríssimo. O protagonista é um embaixador em Washington da fictícia república centro-americana de Sacramento, às voltas com um governo ditatorial, finalmente deposto por uma revolução. Isto nos idos de 1960. 

Mas lá pelas tantas, uma das personagens do livro cita um certo Major-General do exército dos Estados Unidos, Smedley D. Butler, que após servir 33 anos no Corpo de Fuzileiros-Navais, saiu em 1931 pelo país espalhando o seu livro War is a Racket (algo como “A Guerra é uma Jogatina”). Neste livro – que de fato existe — Butler descreve como campanhas militares americanas no México, Haiti, Cuba, Nicarágua, Honduras, serviram explicitamente para transformar estes países em “lugares decentes” para os negócios de  empresas de petróleo, de frutas, bancos, entre outras (no final do século XIX e início do XX). Escreveu o Major-General 78 anos atrás: “Olhando para todo esse passado, sinto que poderia dar a Al Capone algumas sugestões. O mais que ele conseguiu foi operar seu racket (sua rede) em três distritos duma cidade. Nós, os Marines, operamos em três continentes”.

Achei uma “sociedade” em homenagem a Butler, cujo site, de cunho pacifista, traz boas informações sobre o tempo presente.

Clicando neste site, cheguei à pagina do Government Executive, um grupo de mídia especializado em assuntos do governo federal americano. Vale a pena dar uma olhada na lista dos maiores contratos firmados pelo governo americano com companhias na área militar (para o ano fiscal de 2008). Lideram o ranking: Lockheed Martin Corp (US$ 30 bi), Northrop Grumman Corp (US$ 23 bi) e Boeing Co (US$ 23 bi).

Quanto mais guerra, mais dinheiro para essa turma. Sob esta ótica, um atoleiro no Afeganistão não seria assim tão ruim…e um conflito com o Irã, então, já imaginou??

Setembro 18, 2009

Cinema Meio Real

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Imagem: Sugu

Em uma palestra recente no Rio o cineasta Jorge Furtado (Ilha das Flores, O Homem que Copiava) contou uma história legal. No Sul, diz ele, uma organização da sociedade civil realiza sessões de cinema. Como o ingresso custa 50 centavos, o nome da iniciativa é: “Cinema Meio Real”. Achei que valia o registro…veja aqui o blog deles (ou delas, já que trata-se, vi no google, do Ponto de Cultura Maria Mulher).

E ele citou um dado interessante sobre a indústria cinematográfica. Segundo Furtado, em 2008 foram produzidos 153 longa-metragens no Brasil; destes, apenas 50 chegaram às salas de exibição, sendo que 40 não ultrapassaram a marca dos 30 mil espectadores (o que não lota um Pacaembu). Em outras palavras: dos filmes brasucas, dois ou três fazem para lá de 1 milhão de público; o restante ou não é exibido ou atinge margens baixas de audiência (uma minoria fica no meio termo, entre 200 mil e 400 mil espectadores).

Talvez seja o caso de relativizarmos um pouco o termo “retomada” quando falarmos da produção nacional de filmes…

Setembro 16, 2009

De onde vem o dinheiro dos Talibans?

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 Imagem: Moslihh

 Para quem acompanha notícias internacionais, particularmente o que acontece no Afeganistão, recomendo um texto da jornalista americana Jean Mackenzie, correspondente do Global Post em Cabul (aqui traduzido para o português pelo blog ODiario.info).

A jornalista diz que, diferentemente do que se acredita, o dinheiro dos Talibans não vem majoritariamente do comércio de ópio (o Afeganistão é o principal fornecedor de papoulas para heroína), mas sim de Estados do Golfo Pérsico e de recursos desviados…dos próprios americanos.

Segundo Mackenzie, os talibans necessitam de algo entre US$ 100 milhões e US$ 300 milhões ao ano para manter sua máquina de guerra. Ela aponta que boa parte do dinheiro advém de extorsões e cobranças por proteção a construtoras afegãs contratadas pelo governo dos EUA (e de outras fontes internaconais) para tocarem obras pelo país, como estradas e pontes.

Mackenzie apurou que quando fecha um contrato para obras em áreas sob influência dos Talibans, a construtora já separa 20% para os próprios. Uma espécie de pedágio, onde os Talibans permitem o término da obra, para muitas vezes, destruí-la depois (ou seja, após todos terem recebido a sua parte).

Eis a lógica da guerra na Ásia Central….