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Como chamar atenção para causas públicas?

Sempre achei interessante a capacidade de certos grupos de gerarem fatos a partir de intervenções criativas que despertam a atenção das pessoas. Quem tem idade para isto e não se lembra, por exemplo, dos barcos do Greenpeace em meio a baleias para impedir sua pesca, enfrentando arpões e a ira dos baleeiros, nos idos de 1980?
Lembrei-me disso recentemente quando assisti a uma palestra de um jornalista alemão e que trabalha na comunicação política de uma think-tank (instituto) que promove “valores” próximos ao da Democracia Cristã (a direita de lá). Ele descreveu suas campanhas de mídia e de como se pode “influenciar” a opinião pública ao longo do tempo – o que inclui planejamento, profissionalismo e dinheiro. E a certa altura referiu-se ao Greenpeace como uma espécie de modelo, uma fonte de inspiração. E isto porque a ONG verde mobiliza a opinião pública alemã, em especial os mais jovens (apesar de o fazer na direção contrária aos interesses da democracia-cristã, segundo o jornalista).
Na Internet selecionei alguns exemplos legais de ações criativas voltadas para causas públicas  – e que podem, quem sabe, nos inspirar por aqui.

Os artistas Helen Evans (Inglaterra) e Heiko Hansen (Alemanha) realizaram uma “intervenção” interessante em Helsinki, capital da Finlândia. Durante uma semana projetaram raios laser sobre os contornos da fumaça que saía da chaminé de uma estação de energia. Denominada de “instalação ambiental”, a nuvem verde (“Nuage Verte”, acima) teve como objetivo chamar a atenção para o consumo de energia na cidade (a usina é uma geradora de eletricidade movida a carvão).O conceito do trabalho: “realizar uma pesquisa artística explorando a poluição desde um ponto de vista especulativo e cultural”.
Já na Inglaterra, artistas têm usado as imagens das milhões de câmeras de segurança (CCTVs) instaladas pelo país em supermercados, shoppings, estacionamentos, nas ruas, enfim, em praticamente todos os recantos onde há viva alma, como fonte de criação. A cineasta  Manu Luksch produziu um filme (abaixo) a partir de imagens dela própria que ela requisitou ao longo de 4 anos – pela lei inglesa qualquer cidadão tem o direito de pedir suas imagens a quem controla as câmeras, inclusive as instaladas por estabelecimentos particulares. O título: Faceless (Sem Rosto, já que, também por lei, pode-se pedir suas imagens, mas as outras pessoas que aparecem na “cena” – digamos, uma tarde em algum parque de Londres ou subindo-se uma escada rolante do metrô – devem ter suas identidades apagadas, no caso, com bolas no rosto). A iniciativa vem de encontro à crescente inquietação gerada pelo excesso de câmeras de segurança e a consequente invasão de privacidade.

Outro britânico interessante é o Banksy.  Abaixo uma intervenção dele em Londres que pode funcionar como uma bem-humorada crítica á quantidade de carros nas cidades.

Ainda na Inglaterra, em 2006, um ativista do grupo Fathers For Justice, que defende o direito de pais verem seus filhos após separações judiciais,  invadiu o Palácio de Bukingham vestido de Batman e conseguiu uma exposição mundial para o endereço de sua URL (abaixo).


Mas, pelo menos neste caso, a busca pela mídia cobrou um preço alto: algum tempo depois o Fathers For Justice chegou a ser fechado temporariamente após a polícia detectar conversas de seus membros planejando, supostamente, sequestrar o filho do (então) primeiro-ministro Tony Blair.
Aí foi demais.

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Cinema Meio Real

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Imagem: Sugu

Em uma palestra recente no Rio o cineasta Jorge Furtado (Ilha das Flores, O Homem que Copiava) contou uma história legal. No Sul, diz ele, uma organização da sociedade civil realiza sessões de cinema. Como o ingresso custa 50 centavos, o nome da iniciativa é: “Cinema Meio Real”. Achei que valia o registro…veja aqui o blog deles (ou delas, já que trata-se, vi no google, do Ponto de Cultura Maria Mulher).

E ele citou um dado interessante sobre a indústria cinematográfica. Segundo Furtado, em 2008 foram produzidos 153 longa-metragens no Brasil; destes, apenas 50 chegaram às salas de exibição, sendo que 40 não ultrapassaram a marca dos 30 mil espectadores (o que não lota um Pacaembu). Em outras palavras: dos filmes brasucas, dois ou três fazem para lá de 1 milhão de público; o restante ou não é exibido ou atinge margens baixas de audiência (uma minoria fica no meio termo, entre 200 mil e 400 mil espectadores).

Talvez seja o caso de relativizarmos um pouco o termo “retomada” quando falarmos da produção nacional de filmes…

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Pausa para: arte na rua

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Uma intervenção do artista Banksy nas ruas de Londres. Para mais veja aqui.

Abaixo, obra de Os Gêmeos nas ruas de Nova York — aqui fotos selecionadas pelo New York Times, que produziu matéria sobre os artistas paulistanos. (dica do blog Desculpe a Poeira)

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Em tempo: a leitora que se identifica como J.J, da área de cinema, informa que é cada vez mais comum as galeiras abrirem suas portas para a arte de rua. Um filão, segundo ela…

O site WK parece confirmar esta tendência: o artista (não descobri o nome) pinta nas ruas de Nova York, mas também expõe em vários lugares fechados, além de trabalhar para a Nike, Suzuki, entre outras.

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Índios brasileiros fazem cada vez mais filmes

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Imagem:  filme Amendoim da Cutia/ divulgação

A revista Retrato do Brasil (disponível em poucas bancas, veja aqui o site da editora) de abril traz um texto bacana do jornalista Carlos Azedo, sobre a produção de filmes por índios no Brasil.

Diz a matéria que “Há um novo tipo de documentário no meio cultural, feito por cineastas indígenas. Pode-se assistir a eles em festivais ou comprar o DVD em pontos de venda como grandes livrarias (…) Entre eles estão alguns best-sellers, como o divertido Cheiro de Pequi, dos índios cuicuro, ou Amendoim da Cutia (foto acima), do povo panará, este considerado pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss ‘de longe o melhor filme que eu tenha visto sobre os índios da América do Sul´ (…).

O texto informa que “já são 70 filmes produzidos junto a 40 povos indígenas do Brasil com base em 3 mil horas de gravação”.

Boa parte desta produção está relacionada a uma ONG chamada Vídeo nas Aldeias, criada em 1987 e que faz um trabalho sério. Vale a pena acessar o site. Você pode ver o catálogo (dividido por etnias), encomendar vídeos e assistir a traillers. Um pouco da diversidade (e da riqueza) cultural brasileira.

 

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Uma biblioteca de fanzines

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Boa dica que peguei no blog do Ricardo Lombardi; diz ele:

“Para quem sente falta desse tipo de mídia, a Zine Library disponibiliza centenas de fanzines (em PDF; em várias línguas). Dá para navegar por gêneros, como anarquismo ou arte, apenas para dar dois exemplos de temas caros aos fanzineiros que começam com a letra A. Acima, capa do “VOCAL: Comunicados de la lucha popular libertaria en Oaxaca“.

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Uma pausa para fotos e pinturas

O blog da agência fotográfica Magnum traz um série interessante: fotografias que dialogam com pinturas ou são inspiradas nelas. O resultado pode ser visto aqui.

Abaixo imagens do quadro de Diego Rivera e foto de Chris Steele Perkins.

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Artistas criam a partir de nuvens de poluição

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Fotos: Antti Ahonen/ “Nuage Vert by He-He”

Os artistas Helen Evans (Inglaterra) e Heiko Hansen (Alemanha) realizaram uma “intervenção” interessante em Helsinki, capital da Finlândia. Durante uma semana projetaram raios laser sobre os contornos da fumaça que saía da chaminé de uma estação de energia. Denominada de “instalação ambiental”, a nuvem verde (Nuage Vert) teve como objetivo chamar a atenção para o consumo de energia na cidade (a usina é uma geradora de eletricidade movida a carvão).

O conceito do trabalho: “realizar uma pesquisa artística explorando a poluição desde um ponto de vista especulativo e cultural”.

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