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Comentários sobre a China

Recentemente almocei, a trabalho para a BBC, com um empresário chinês. A China é atualmente a maior parceira comercial do Brasil (vendemos minério de ferro, soja, entre outros bens, e compramos aço, manufaturados etc).
Na avaliação deste empresário, cuja família se dividiu em 1949, parte ficando na China (e prosperando após as reformas econômicas de Deng Xiaoping) e parte fugindo (como no caso dele), o Brasil receberá investimentos maciços chineses nos próximos anos. Com muitas reservas financeiras, a China agora quer realizar o capital. “O Brasil tem sérios problemas de transporte, não tem ferrovias, e gargalos nos portos. Já os chineses têm o dinheiro”, resumiu.
E ele fez uma observação interessante sobre política internacional. Os EUA têm poderio militar mas também sérios desequilíbrios econômico-financeiros. Isto significa, segundo ele, que para viabilizar suas próximas guerras, os americanos terão que negociar com os chineses os aspectos financeiros da empreitada.
É o mundo pós-pós-Guerra Fria.

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Fim da Era do Petróleo? Depois de 2030, quem sabe…

Estamos vivenciando o fim da Era do Petróleo? A profecia, por ora, parece estar mais amparada em desejos do que nos fatos.

Um relatório da International Energy Agency, citado pelo site da revista britânica The Economist, projeta que a demanda mundial por petróleo subirá de 84,7 milhões de barris/dia (em 2008) para 105 milhões de barris/dia (2030).

Segundo o estudo, Estados Unidos, Japão e Europa usarão menos petróleo em 2030 do que o fizeram em 1980; a demanda na Ásia, particularmente Índia e China, porém, subirá 400% nas próximas duas décadas. A maior parte desta produção será destinada a transporte, reflexo do “aumento no número de carros no mundo em desenvolvimento”.

Por esta previsão a demanda por petróleo também aumentará na América Latina, a um ritmo semelhante ao da África. Somando-se o que latinoamericanos e africanos beberão de petróleo em 2030 não dá, ainda assim, um Estados Unidos, conforme a tabela abaixo.

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E o texto abaixo, extraído de um artigo do professor da USP e ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer, na revista Retrato do Brasil de novembro, ajuda a jogar luz sobre os números acima. Vejamos:

“Está em curso um processo de transição energética, provocado pela discussão das mudanças climáticas e também pela perspectiva de exaustão das reservas de petróleo. Apesar disso, a persistência do modelo de desenvolvimento urbano-industrial surgido das revoluções industriais conduz à conclusão de que o papel do petróleo é ainda extraordinário como fonte de rendas”.

E prossegue o professor:

“Para que outras formas de energia desempenhem esse mesmo papel (do petróleo), é preciso melhorar as condições técnicas de sua apropriação, requerendo menos capital e trabalho. Os economistas ecológicos falam da necessidade da mudança desse paradigma. Isso é necessário e é possível. Mas levará tempo. Não há, no entanto, por ora, nenhuma força política capaz de acelerar essa passagem”.

Concluindo que:

“É preciso aceitar que o petróleo manterá seu elevado valor por um longo tempo, três ou quatro décadas, no mínimo. Os excedentes gerados com o uso do petróleo podem financiar a transição energética. Quem controlar a apropriação de qualquer parte importante do uso desse recurso natural controlará parte do poder. Onde está esse petróleo remanescente? Em três fronteiras: na Ásia Central, na África (em países como Nigéria e Sudão) e na camada pré-sal brasileira”.

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Uma tonelada de minério de ferro ou um par de tênis?

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A revista Desafios do Desenvolvimento, do Ipea, de julho, traz uma informação curiosa.

A publicação diz que uma tonelada de minério de ferro é vendida no mercado internacional por US$ 60, “valor insuficiente para importar um par de tênis de marca”.

O paralelo é revelador, haja visto que 43% das exportações brasileiras em 2008 foram exatamente de “commodities” (como minério de ferro e soja). Segundo a revista, dos produtos exportados pelo Brasil, apenas 6,8% são de “alta tecnologia”.

O Ipea lembra ainda que desde abril de 2009 a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil. Só que: “Hoje, as matérias-primas – soja e minério de ferro – concentram mais de três quartos das vendas brasileiras (para a China), enquanto as importações (daquele país) são basicamente de produtos manufaturados com maior valor agregado”.

O Ipea advoga que o caminho é investir em pesquisa & desenvolvimento para diversificar esta pauta de exportações. Segundo a revista, “metade de tudo o que as empresas da Europa e Estados Unidos investem em pesquisa e desenvolvimento é financiada pelos respectivos governos. No Brasil, o governo entra com apenas 5%”.

Taí uma boa pauta para 2010…quem terá, de fato, esta visão de país?

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Na China, internauta é “netizen”

Buscando outro dia notícias sobre a China no site do Diário do Povo (órgão oficial do governo chinês), descobri uma coisa interessante. Os chineses referem-se aos internautas como “netizens”.

Nunca tinha lido ou ouvido esta expressão. Aparentemente trata-se de um neologismo formado a partir das palavras net (rede) e citizen (cidadão).

Em um dicionário online encontrei a seguinte definição para “netizen”:

cidadão da Internet (aquele que vê na Internet uma comunidade social e cultural); indivíduo que se utiliza da Internet para expressar suas idéias em discussões e votações.

Curioso que justamente na China – país visto pelo senso-comum ocidental (americano) como lugar onde não há “liberdade de expressão” – este termo (tão, digamos assim, politizado) seja utilizado.

Para ficar atento, afinal, 1 em cada 6 usuários de Internet no mundo é chinês (lá são 180 milhões online, superando os EUA em números absolutos).

E uma pesquisa recente divulgada pela Xinhua (agência de notícias chinesa) listou as principais preocupações dos “netizens” chineses, sendo que corrupção é o que lidera.

A pesquisa detectou também que os “netizens” chineses acham que a Internet deveria controlar o governo – e não o contrário. Para um país onde não há “liberdade de expressão”, até que é uma proposição bastante avançada…

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Segundo The Economist, mais de 1 bilhão usam internet no mundo

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Pela primeira vez o número de usuários de internet no mundo superou a marca de 1 bilhão, de acordo com matéria publicada no site da revista inglesa The Economist.

Um em cada seis usuários está na China (180 milhões), seguida pelos Estados Unidos (163 milhões). O Brasil aparece na nona colocação, com mais de 27,6 milhões de pessoas conectadas, ou 2,7% do total mundial.

A fonte dos dados é a empresa comScore (que mede audiências online) – veja aqui os números completos & explicações sobre a pesquisa (em inglês).

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