Arquivo da tag: Dinheiro

Comentários sobre a China

Recentemente almocei, a trabalho para a BBC, com um empresário chinês. A China é atualmente a maior parceira comercial do Brasil (vendemos minério de ferro, soja, entre outros bens, e compramos aço, manufaturados etc).
Na avaliação deste empresário, cuja família se dividiu em 1949, parte ficando na China (e prosperando após as reformas econômicas de Deng Xiaoping) e parte fugindo (como no caso dele), o Brasil receberá investimentos maciços chineses nos próximos anos. Com muitas reservas financeiras, a China agora quer realizar o capital. “O Brasil tem sérios problemas de transporte, não tem ferrovias, e gargalos nos portos. Já os chineses têm o dinheiro”, resumiu.
E ele fez uma observação interessante sobre política internacional. Os EUA têm poderio militar mas também sérios desequilíbrios econômico-financeiros. Isto significa, segundo ele, que para viabilizar suas próximas guerras, os americanos terão que negociar com os chineses os aspectos financeiros da empreitada.
É o mundo pós-pós-Guerra Fria.

4 Comentários

Arquivado em Política Internacional

A honestidade e os “espinhos” do poder

seapod

Um amigo que ocupa um cargo razoavelmente importante na Administração Pública me contou que está preocupado com o que lhe acontecerá quando deixar o posto. Segundo ele, é comum “gestores” serem processados a posteriori (ou seja, quando já estão fora do governo) por medidas administrativas tomadas. Para fazer a coisa andar na “máquina”, é necessário, muitas vezes, buscar alternativas para driblar as inúmeras normas burocráticas. Para quase tudo, porém, pode-se haver dupla interpretação e o Tribunal de Contas da União abre processos com freqüência, até para eximir-se de responsabilidades. Ou seja: na dúvida, processa o administrador (o indivíduo). Por ser honesto (e não pertencer a esquemas políticos que lhe dariam guarida), este amigo inquieta-se. E aqui termina a parte bonitinha da história.

O lado cinzento veio na segunda parte da conversa.

Como encarar um processo judicial é caro, vários ocupantes destes cargos (gente que não é de “carreira”, mas indicada) aproveitam, então, sua passagem no governo para…fazer uma caixinha “por fora” como garantia para o futuro. Não é incomum este dinheiro – fruto, no mais das vezes, de fraudes — ficar estacionado em escritórios de advocacia. Não ficou claro o que os advogados fazem com a grana caso ninguém vá aos tribunais, mas aí é outra história.

Comentei que precisa ter estômago para a Política, ao que ele respondeu: “é, não é para idealistas”.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Excesso de controles não ajuda na anti-corrupção

searchshek

Recentemente conversei com um secretário municipal da Prefeitura do Rio, que comanda uma importante área da administração.

Esta pessoa me disse mais ou menos o seguinte: a margem de manobra de um secretário municipal é bastante estreita. Há muitos “controles” que paralisam a administração, mesmo para assuntos do cotidiano. O problema é que estes “controles” (e aqui falávamos de procuradores municipais) estão atentos para coisas pequenas, frívolas até – e distantes de onde a corrupção realmente acontece (nas partilhas dos contratos, por exemplo).

A visão deste secretário bate com a tese de um livro que li recentemente, o The Pursuit of Absolute Integrity. How Corruption Control Make Government Ineffective, dos acadêmicos americanos Anechiarico,F. e Jacobs, B.

Eles argumentam que as várias reformas nos EUA que visaram o combate à corrupção tiveram o efeito, no final, de piorar a administração pública. Resumindo: criam-se estruturas para combater o problema, mas logo este muda de foco (ou de estratégias), tornando as estruturas criadas ineficientes. Os novos mecanismos perdem eficiência mas, como foram incorporados à administração, permanecem em funcionamento por anos a fio.

Ou seja: para comprar um lápis, há diversas agências de controle que podem paralisar aquela ação administrativa; mas para o “big business” a lógica é outra, passa por outros canais. E no caso do Rio, por exemplo, se um secretário municipal quiser peitar ou modificar procedimentos, é desestabilizado rapidinho.

Quando o assunto é corrupção, a impressão que se tem é que a caravana passa e os cães ladram.

Deixe um comentário

Arquivado em Ética

Emprego, Internet, McDonalds — o que dizem as pesquisas?

Uma pesquisa do Pew Research Center for the People & the Press mostrou que para 42% dos americanos o emprego é o principal problema econômico do país (foram entrevistadas 1303 pessoas); em julho do ano passado este índice era de 13%. Os tempos estão bicudos: 44% acreditam que passarão a ganhar menos em breve.

Freqüentemente citado pela revista The Economist, o Pew Research Center tem um site que é um prato cheio para quem gosta de pesquisas & números. Há de tudo. Alguns exemplos:

Uma pesquisa mostrou que entre jovens americanos (menos de 30 anos) a Internet já é o principal meio de obtenção de notícias (para 59% dos entrevistados), empatando com TV; já os jornais impressos estão em baixa: 40% dos americanos adultos (todas as faixas estarias) afirmam pegar notícias na Internet contra 35% nos jornais.

Outra pesquisa perguntou: você gostaria de morar em um lugar com mais McDonalds ou mais Starbucks (rede de cafés)? Homens, que se definem como conservadores e têm renda mais baixa preferem Mc Donalds; mulheres, com perfil liberal, vão de Starbucks.

1111-front

 

1 comentário

Arquivado em Mídia

A corrupção dos outros

seapod

Imagem: Manu Luksch

Estudando a literatura de ciência política sobre corrupção, notei um fato curioso. Os autores ingleses e norte-americanos – principalmente a partir dos anos 1960 – usam com generosidade a palavra “corrupção” quando descrevem o problema na África, América Latina e Ásia.

Já quando referem-se a seus próprios países, os termos preferidos para o desvio de dinheiro público são “mal comportamento no uso do cargo público” ou “mal uso do cargo” ou ainda “conduta imprópria”.

Uma questão de palavras…

Deixe um comentário

Arquivado em Cultura, Política

Eleições: uma cena de compra de votos

Um amigo publicitário contratado para uma campanha a prefeito de uma cidade no interior do estado do Rio me contou que no último dia de campanha (no primeiro turno ainda), cabos-eleitorais do candidato saíram do comitê com sacos de dinheiro (notas de R$ 50,00) para distribuir entre os eleitores. Ele viu a cena e ficou com a impressão de que campanha política “é tudo por dinheiro” (o salário dele foi pago em cash por empresas de ônibus; o seu cliente foi eleito).

O ocorrido não é fato isolado: das 70 denúncias de irregularidades eleitorais que chegaram em outubro ao Comitê Nacional do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), a maior parte (29) dizia respeito à compra de voto.

Urna eletrônica, amadurecimento do eleitor (que nestas eleições privilegiou propostas e o discurso sobre a cidade), por um lado; práticas dos tempos da República Velha (1889-1930), por outro…

Deixe um comentário

Arquivado em Ética, Política