Arquivo da categoria: Política Internacional

Comentários sobre a China

Recentemente almocei, a trabalho para a BBC, com um empresário chinês. A China é atualmente a maior parceira comercial do Brasil (vendemos minério de ferro, soja, entre outros bens, e compramos aço, manufaturados etc).
Na avaliação deste empresário, cuja família se dividiu em 1949, parte ficando na China (e prosperando após as reformas econômicas de Deng Xiaoping) e parte fugindo (como no caso dele), o Brasil receberá investimentos maciços chineses nos próximos anos. Com muitas reservas financeiras, a China agora quer realizar o capital. “O Brasil tem sérios problemas de transporte, não tem ferrovias, e gargalos nos portos. Já os chineses têm o dinheiro”, resumiu.
E ele fez uma observação interessante sobre política internacional. Os EUA têm poderio militar mas também sérios desequilíbrios econômico-financeiros. Isto significa, segundo ele, que para viabilizar suas próximas guerras, os americanos terão que negociar com os chineses os aspectos financeiros da empreitada.
É o mundo pós-pós-Guerra Fria.

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Mortalidade infantil cai em todo o Mundo

O site da revista britânica The Economist trouxe recentemente uma boa notícia: a mortalidade infantil vem caindo em todas as regiões do mundo. E o Brasil é um dos 31 países que deverão, neste quesito, atingir as Metas do Milênio, que estabeleceu uma queda de 66% na mortalidade infantil entre 1990 e 2015.
Os dados são do Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington. Os pesquisadores levantaram os números da mortalidade infantil (crianças até 5 anos) em 187 países.
No Brasil, a mortalidade infantil caiu a taxas de 4,8% ao ano nas últimas décadas. Em 1990, a mortalidade era de 52,04 por mil crianças; em 2010, passou para 19,88.
Apesar da queda, ainda morre-se mais aqui do que em países como o México (16,5 por mil), China (15,4), França (3,86) e Espanha (3,76). No mundo como um todo, segundo a pesquisa, a mortalidade infantil caiu 35% entre 1990 e 2010. As únicas nações que apresentaram elevação dos índices foram a Suazilândia, Lesoto, Guiné Equatorial e Antígua e Barbuda.
Veja aqui o estudo completo e abaixo a tabela publicada pela The Economist com os percentuais de declínio da mortalidade infantil (ao ano) nos diversos continentes.

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Orçamento militar dos EUA pagaria 82 anos de Bolsa Família

Os gastos militares dos EUA sobem continuamente desde 1998, quando foram consumidos 274 bilhões de dólares. Em 2008, a cifra atingiu 607 bilhões de dólares.

 As informações são do Stockholm International Peace Research Institute.

 E a conta vai subir, já que orçamento militar para 2010 (assinado por Obama) chega a 660 bilhões de dólares. Para fabricantes de armas como Lockheed Martin, Northrop Grumman e Boieng Co, o céu é de brigadeiro.

E uma comparação: o orçamento militar dos EUA deste ano patrocinaria, no Brasil, 82 anos do Programa Bolsa Família (levando-se em conta que orçamento do programa para 2010 é de R$ 13,7 bilhões e considerando um câmbio de 1 para 1.7).

 Ou o Bolsa Família é um trocado ou o gasto com armas exorbitante. Ou ambos.

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Os americanos e o terrorismo em 2010

70% dos americanos acreditam ser provável que aconteça um atentado terrorista nos Estados Unidos nos próximos doze meses. O número – publicado na edição de 9 de janeiro da revista The Economist — é da empresa de pesquisas YouGov Polimetrix. O levantamento foi feito alguns dias depois do atentado fracassado a um avião da NorthWest Airlines que fazia a rota Amsterdã-Detroit.

 Em abril de 2009 o receio em relação a atentados era de 51%.

A The Economist ressalta que o ano não começou bem para o presidente americano Obama, que encontra dificuldades para livrar-se do figurino de “presidente da guerra”. Além do atentado – que levou ao anúncio de novas medidas de segurança – há o envio, para breve, de mais soldados para o Afeganistão.

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As empresas que fornecem armas para os EUA

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Imagem: rsconnett

Acabo de ler um livro excelente: O Senhor Embaixador, do Erico Veríssimo. O protagonista é um embaixador em Washington da fictícia república centro-americana de Sacramento, às voltas com um governo ditatorial, finalmente deposto por uma revolução. Isto nos idos de 1960. 

Mas lá pelas tantas, uma das personagens do livro cita um certo Major-General do exército dos Estados Unidos, Smedley D. Butler, que após servir 33 anos no Corpo de Fuzileiros-Navais, saiu em 1931 pelo país espalhando o seu livro War is a Racket (algo como “A Guerra é uma Jogatina”). Neste livro – que de fato existe — Butler descreve como campanhas militares americanas no México, Haiti, Cuba, Nicarágua, Honduras, serviram explicitamente para transformar estes países em “lugares decentes” para os negócios de  empresas de petróleo, de frutas, bancos, entre outras (no final do século XIX e início do XX). Escreveu o Major-General 78 anos atrás: “Olhando para todo esse passado, sinto que poderia dar a Al Capone algumas sugestões. O mais que ele conseguiu foi operar seu racket (sua rede) em três distritos duma cidade. Nós, os Marines, operamos em três continentes”.

Achei uma “sociedade” em homenagem a Butler, cujo site, de cunho pacifista, traz boas informações sobre o tempo presente.

Clicando neste site, cheguei à pagina do Government Executive, um grupo de mídia especializado em assuntos do governo federal americano. Vale a pena dar uma olhada na lista dos maiores contratos firmados pelo governo americano com companhias na área militar (para o ano fiscal de 2008). Lideram o ranking: Lockheed Martin Corp (US$ 30 bi), Northrop Grumman Corp (US$ 23 bi) e Boeing Co (US$ 23 bi).

Quanto mais guerra, mais dinheiro para essa turma. Sob esta ótica, um atoleiro no Afeganistão não seria assim tão ruim…e um conflito com o Irã, então, já imaginou??

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De onde vem o dinheiro dos Talibans?

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 Imagem: Moslihh

 Para quem acompanha notícias internacionais, particularmente o que acontece no Afeganistão, recomendo um texto da jornalista americana Jean Mackenzie, correspondente do Global Post em Cabul (aqui traduzido para o português pelo blog ODiario.info).

A jornalista diz que, diferentemente do que se acredita, o dinheiro dos Talibans não vem majoritariamente do comércio de ópio (o Afeganistão é o principal fornecedor de papoulas para heroína), mas sim de Estados do Golfo Pérsico e de recursos desviados…dos próprios americanos.

Segundo Mackenzie, os talibans necessitam de algo entre US$ 100 milhões e US$ 300 milhões ao ano para manter sua máquina de guerra. Ela aponta que boa parte do dinheiro advém de extorsões e cobranças por proteção a construtoras afegãs contratadas pelo governo dos EUA (e de outras fontes internaconais) para tocarem obras pelo país, como estradas e pontes.

Mackenzie apurou que quando fecha um contrato para obras em áreas sob influência dos Talibans, a construtora já separa 20% para os próprios. Uma espécie de pedágio, onde os Talibans permitem o término da obra, para muitas vezes, destruí-la depois (ou seja, após todos terem recebido a sua parte).

Eis a lógica da guerra na Ásia Central….

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The Economist: desemprego pode gerar crises políticas

A  Economist Intelligence Unit (EIU, um braço de análises da revista britânica The Economist) desenvolveu um Índice de Instabilidade Política.

De acordo com o Índice de 2009, 95 países ao redor do mundo estão em uma zona de “alto risco” de instabilidade política, principalmente na África– em 2007 eram 35 países.

Segundo a The Economist, o desemprego causado pela crise financeira, está no “coração” da instabilidade política (entendida como “situações que ameaçam governos ou a ordem política existente”).

Neste ranking o Brasil encontra-se sob risco “moderado” de instabilidade.

Veja aqui um resumo em inglês. Abaixo, um mapa com os resultados.

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