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Jornalismo investigativo nos EUA em dificuldades

Dos 100 maiores jornais americanos, 37% não mantêm repórteres dedicados exclusivamente ao jornalismo investigativo. Apenas 10% das redações tinham profissionais com este perfil, de acordo com uma pesquisa realizada em 2005 pela Arizona State University, citada pelo ótimo site ProPublica.

Situações como esta contribuem para que tenhamos muita opinião sobre tudo na imprensa e na Internet, mas pouca gente dedicada a reconstituir os fatos.

O ProPublica é um site de jornalismo investigativo americano que vale uma visita. Recentemente um de seus fotógrafos foi detido pela polícia no Texas porque fez uma imagem de uma refinaria da BP. De acordo com um agente do FBI que interrogou o jornalista, refinarias são potenciais alvos terroristas, daí a interdição de se fazer fotos. Uhmmm….veja aqui a história completa, em inglês.

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Quais os maiores derramamentos de petróleo?

O site da revista The Economist trouxe recentemente uma lista com os maiores derramamentos de petróleo de todos os tempos. O desastre ocorrido na plataforma da BP no Golfo do México era, até o final de junho, o quarto, levando-se em conta as piores estimativas – ou o décimo-sexto, considerados cálculos mais otimistas (veja o gráfico abaixo). Mas a posição no “ranking” deve subir, já que autoridades americanas calculam que o petróleo continua a escapar  a uma velocidade de 60 mil barris/dia. Já são mais de dois meses de poluição non-stop (o acidente original aconteceu em 20 de abril).
E no Facebook existe uma comunidade chamada “Boycott BP”. São mais de 680 mil participantes, com muita informação, fotos e vídeos. Vale a pena conferir.
Abaixo, imagem da plataforma da BP em chamas, antes de afundar; 11 trabalhadores morreram e diversos outros ficaram feridos. A BBC produziu um material didático sobre o acidente – vale uma visita (em inglês).

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Quem são os maiores fabricantes de armas do mundo?

O site da revista britânica The Economist publicou recentemente uma lista com os principais fabricantes de armas do mundo (veja abaixo). Em primeiro lugar aparece a BAE Systems, da Inglaterra, com ganhos superiores a US$ 30 bilhões no ano de 2008 (o que no Brasil manteria o programa Bolsa Família por 4 anos).
A maior parte das companhias, porém, é americana. Escreve a revista: “O enorme orçamento de defesa dos EUA – que deve atingir US$ 700 bilhões em 2010 – garante oportunidades de negócios para as empresas locais (americanas) da indústria de defesa”.
No total, os 100 maiores fabricantes de armas venderam o equivalente a US$ 385 bilhões em 2008 – um acréscimo de US$ 39 bilhões em relação a 2007. A fonte dos dados (com freqüência utilizada pela The Economist) é o Stockholm International Peace Research Institute. Veja aqui mais detalhes.

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Orçamento militar dos EUA pagaria 82 anos de Bolsa Família

Os gastos militares dos EUA sobem continuamente desde 1998, quando foram consumidos 274 bilhões de dólares. Em 2008, a cifra atingiu 607 bilhões de dólares.

 As informações são do Stockholm International Peace Research Institute.

 E a conta vai subir, já que orçamento militar para 2010 (assinado por Obama) chega a 660 bilhões de dólares. Para fabricantes de armas como Lockheed Martin, Northrop Grumman e Boieng Co, o céu é de brigadeiro.

E uma comparação: o orçamento militar dos EUA deste ano patrocinaria, no Brasil, 82 anos do Programa Bolsa Família (levando-se em conta que orçamento do programa para 2010 é de R$ 13,7 bilhões e considerando um câmbio de 1 para 1.7).

 Ou o Bolsa Família é um trocado ou o gasto com armas exorbitante. Ou ambos.

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Igrejas americanas criam clubes da luta

Igrejas evangélicas americanas estão criando “clubes da luta” (no estilo Ultimate Fighting). A ideia é usar esses clubes para atrair a atenção dos jovens — e convertê-los. O New York Times fez uma matéria sobre o tema. (esta dica peguei no ótimo blog do jornalista Ricardo Lombardi). 

E no Rio de Janeiro, existe uma iniciativa chamada Luta pela Paz, no Complexo da Maré (conjunto de favelas). O trabalho é coordenado pelo inglês Luke Dowdney. Luke chegou ao Rio pelos idos de 1998 e foi dar aulas de inglês (por acaso fui seu aluno).

 Os anos se passaram, trabalhou no Viva Rio, escreveu e publicou um excelente livro sobre crianças no tráfico. Ex-lutador, fundou esta academia-projeto, que quer “superar a violência e promover o potencial de jovens através de esportes de luta e artes marciais, programas de educação e serviços de apoio juvenil”.

Recentemente Luke instalou um Luta pela Paz em Londres também. O site está aqui.

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Pesquisa: uso de blogs cai entre jovens nos EUA

Imagem: Sebastian Fritzon

Para quem acompanha as tendências no uso da Internet, uma boa fonte é o Pew Research Center. Em uma recente pesquisa, o centro identificou uma queda no uso de blogs por adolescentes e jovens nos EUA, que migram para redes sociais.

 Em 2006, 26% dos adolescentes usuários da Internet “blogavam”. O percentual caiu para 14% em 2009. Há quatro anos, 76% deixavam comentários em blogs de amigos, contra 52% no ano passado.

 Os números para jovens entre 18 e 29 anos apontam para a mesma tendência.

 Já entre adultos acima de 30, o uso de blogs subiu de 7% para 11% entre 2007 e 2009. Em todas as faixas etárias aumentou o uso das redes sociais, como Facebook, MySpace e Linkedin.

 O estudo pode ser acessado aqui (em inglês).

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Os americanos e o terrorismo em 2010

70% dos americanos acreditam ser provável que aconteça um atentado terrorista nos Estados Unidos nos próximos doze meses. O número – publicado na edição de 9 de janeiro da revista The Economist — é da empresa de pesquisas YouGov Polimetrix. O levantamento foi feito alguns dias depois do atentado fracassado a um avião da NorthWest Airlines que fazia a rota Amsterdã-Detroit.

 Em abril de 2009 o receio em relação a atentados era de 51%.

A The Economist ressalta que o ano não começou bem para o presidente americano Obama, que encontra dificuldades para livrar-se do figurino de “presidente da guerra”. Além do atentado – que levou ao anúncio de novas medidas de segurança – há o envio, para breve, de mais soldados para o Afeganistão.

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Fim da Era do Petróleo? Depois de 2030, quem sabe…

Estamos vivenciando o fim da Era do Petróleo? A profecia, por ora, parece estar mais amparada em desejos do que nos fatos.

Um relatório da International Energy Agency, citado pelo site da revista britânica The Economist, projeta que a demanda mundial por petróleo subirá de 84,7 milhões de barris/dia (em 2008) para 105 milhões de barris/dia (2030).

Segundo o estudo, Estados Unidos, Japão e Europa usarão menos petróleo em 2030 do que o fizeram em 1980; a demanda na Ásia, particularmente Índia e China, porém, subirá 400% nas próximas duas décadas. A maior parte desta produção será destinada a transporte, reflexo do “aumento no número de carros no mundo em desenvolvimento”.

Por esta previsão a demanda por petróleo também aumentará na América Latina, a um ritmo semelhante ao da África. Somando-se o que latinoamericanos e africanos beberão de petróleo em 2030 não dá, ainda assim, um Estados Unidos, conforme a tabela abaixo.

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E o texto abaixo, extraído de um artigo do professor da USP e ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer, na revista Retrato do Brasil de novembro, ajuda a jogar luz sobre os números acima. Vejamos:

“Está em curso um processo de transição energética, provocado pela discussão das mudanças climáticas e também pela perspectiva de exaustão das reservas de petróleo. Apesar disso, a persistência do modelo de desenvolvimento urbano-industrial surgido das revoluções industriais conduz à conclusão de que o papel do petróleo é ainda extraordinário como fonte de rendas”.

E prossegue o professor:

“Para que outras formas de energia desempenhem esse mesmo papel (do petróleo), é preciso melhorar as condições técnicas de sua apropriação, requerendo menos capital e trabalho. Os economistas ecológicos falam da necessidade da mudança desse paradigma. Isso é necessário e é possível. Mas levará tempo. Não há, no entanto, por ora, nenhuma força política capaz de acelerar essa passagem”.

Concluindo que:

“É preciso aceitar que o petróleo manterá seu elevado valor por um longo tempo, três ou quatro décadas, no mínimo. Os excedentes gerados com o uso do petróleo podem financiar a transição energética. Quem controlar a apropriação de qualquer parte importante do uso desse recurso natural controlará parte do poder. Onde está esse petróleo remanescente? Em três fronteiras: na Ásia Central, na África (em países como Nigéria e Sudão) e na camada pré-sal brasileira”.

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Site da Casa Branca pode não ser…da Casa Branca

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Em um inusitado lapso de segurança e de informação, a Casa Branca (White House, residência oficial do presidente dos Estados Unidos e símbolo do poder executivo naquele país) deixou de registrar o nome “whitehouse” nos domínios .com e .org.

Resultado: quando se clica em www.whitehouse.org  a busca é direcionada para um site humorístico que satiriza a…Casa Branca. O site oferece camisetas parodiando a base militar e presídio americano de Guantanamo e pôsteres “patrióticos” estampados por George W. Bush.

E o internauta que clicasse em http://www.whitehouse.com caia em um site pornográfico – que aproveitou-se o quanto pôde do prestigiado nome (veja um texto a respeito) até que passou o dominio adiante em 2008.  Atualmente, ao clicar-se na URL cai-se em uma página em branco com dizeres pouco compreensíveis.

Em tempo: o site oficial da Casa Branca é: www.whitehouse.gov

Já no Brasil, o pessoal do Palácio do Planalto parece mais antenado. Quando clica-se em www.presidencia.org.br vai-se para uma página em branco; o site oficial da Presidência da República é www.presidencia.gov.br

 E a propósito: quando colocamos www.presidencia.net  aparece o seguinte aviso: For Sale Domain!

Candidatos?

 

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As empresas que fornecem armas para os EUA

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Imagem: rsconnett

Acabo de ler um livro excelente: O Senhor Embaixador, do Erico Veríssimo. O protagonista é um embaixador em Washington da fictícia república centro-americana de Sacramento, às voltas com um governo ditatorial, finalmente deposto por uma revolução. Isto nos idos de 1960. 

Mas lá pelas tantas, uma das personagens do livro cita um certo Major-General do exército dos Estados Unidos, Smedley D. Butler, que após servir 33 anos no Corpo de Fuzileiros-Navais, saiu em 1931 pelo país espalhando o seu livro War is a Racket (algo como “A Guerra é uma Jogatina”). Neste livro – que de fato existe — Butler descreve como campanhas militares americanas no México, Haiti, Cuba, Nicarágua, Honduras, serviram explicitamente para transformar estes países em “lugares decentes” para os negócios de  empresas de petróleo, de frutas, bancos, entre outras (no final do século XIX e início do XX). Escreveu o Major-General 78 anos atrás: “Olhando para todo esse passado, sinto que poderia dar a Al Capone algumas sugestões. O mais que ele conseguiu foi operar seu racket (sua rede) em três distritos duma cidade. Nós, os Marines, operamos em três continentes”.

Achei uma “sociedade” em homenagem a Butler, cujo site, de cunho pacifista, traz boas informações sobre o tempo presente.

Clicando neste site, cheguei à pagina do Government Executive, um grupo de mídia especializado em assuntos do governo federal americano. Vale a pena dar uma olhada na lista dos maiores contratos firmados pelo governo americano com companhias na área militar (para o ano fiscal de 2008). Lideram o ranking: Lockheed Martin Corp (US$ 30 bi), Northrop Grumman Corp (US$ 23 bi) e Boeing Co (US$ 23 bi).

Quanto mais guerra, mais dinheiro para essa turma. Sob esta ótica, um atoleiro no Afeganistão não seria assim tão ruim…e um conflito com o Irã, então, já imaginou??

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