Arquivo da tag: segurança

Jornalismo investigativo nos EUA em dificuldades

Dos 100 maiores jornais americanos, 37% não mantêm repórteres dedicados exclusivamente ao jornalismo investigativo. Apenas 10% das redações tinham profissionais com este perfil, de acordo com uma pesquisa realizada em 2005 pela Arizona State University, citada pelo ótimo site ProPublica.

Situações como esta contribuem para que tenhamos muita opinião sobre tudo na imprensa e na Internet, mas pouca gente dedicada a reconstituir os fatos.

O ProPublica é um site de jornalismo investigativo americano que vale uma visita. Recentemente um de seus fotógrafos foi detido pela polícia no Texas porque fez uma imagem de uma refinaria da BP. De acordo com um agente do FBI que interrogou o jornalista, refinarias são potenciais alvos terroristas, daí a interdição de se fazer fotos. Uhmmm….veja aqui a história completa, em inglês.

2 Comentários

Arquivado em Mídia

Site da Casa Branca pode não ser…da Casa Branca

guantanamo

Em um inusitado lapso de segurança e de informação, a Casa Branca (White House, residência oficial do presidente dos Estados Unidos e símbolo do poder executivo naquele país) deixou de registrar o nome “whitehouse” nos domínios .com e .org.

Resultado: quando se clica em www.whitehouse.org  a busca é direcionada para um site humorístico que satiriza a…Casa Branca. O site oferece camisetas parodiando a base militar e presídio americano de Guantanamo e pôsteres “patrióticos” estampados por George W. Bush.

E o internauta que clicasse em http://www.whitehouse.com caia em um site pornográfico – que aproveitou-se o quanto pôde do prestigiado nome (veja um texto a respeito) até que passou o dominio adiante em 2008.  Atualmente, ao clicar-se na URL cai-se em uma página em branco com dizeres pouco compreensíveis.

Em tempo: o site oficial da Casa Branca é: www.whitehouse.gov

Já no Brasil, o pessoal do Palácio do Planalto parece mais antenado. Quando clica-se em www.presidencia.org.br vai-se para uma página em branco; o site oficial da Presidência da República é www.presidencia.gov.br

 E a propósito: quando colocamos www.presidencia.net  aparece o seguinte aviso: For Sale Domain!

Candidatos?

 

Deixe um comentário

Arquivado em Internet

O nosso bairro é sempre mais tranquilo

 

ratgirlzzz1

Imagem: Banksy

Conversando recentemente com uma socióloga especializada em segurança pública, ela me disse uma coisa curiosa. Tanto nas cidades brasileiras, como ao redor do mundo, as pessoas, nas pesquisas, sempre dizem que seu bairro é menos violento do que o restante da cidade. Uma das explicações é que  olhamos nossa vizinhança com lentes de afetividade, favorecendo uma percepção benevolente.

Isto me fez lembrar como o noticiário sempre tem uma carga negativa grande – fatos positivos raramente são “notícia”. Talvez as pessoas sintam-se mais confortáveis ao perceber os perigos do mundo alhures, via TV ou jornais, lá no Afeganistão, na África ou…em qualquer lugar que não seja seu bairro.

1 comentário

Arquivado em Mídia

Violência no Rio, uma nota

Na próxima terça-feira (2 de junho), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulga um estudo que mapeou os locais de moradia das vítimas de homicídio no Rio de Janeiro. Para quem estuda o tema, é para ficar de olho. Os pesquisadores produziram mapas mostrando os locais mais críticos da cidade. O material deverá estar em breve no site da instituição.

Convém lembrar que uma em cada quatro mortes por homicídio na cidade do Rio entre 2003 e 2006 foi de responsabilidade das forças policias (militar e civil). Quando um PM mata uma pessoa, o caso é classificado como “auto de resistência”. Abaixo, o triste placar das mortes de civis pela polícia no estado do Rio de Janeiro, classificadas como “autos de resistência” (dados do Instituto de Segurança Pública)

2007 (Gov Sérgio Cabral) – 1330

2006 (Gov Rosinha Garotinho) – 1063

2005 (Gov Rosinha Garotinho) – 1098

2004 (Gov Rosinha Garotinho) – 983

 2003 (Gov Rosinha Garotinho) – 1.195

 2002 (Gov Benedita da Silva) – 900

 2001 (Gov Anthony Garotinho) — 592

Deixe um comentário

Arquivado em Cidadania

Os ingleses e as câmeras de vigilância

CCTV

Acima, a visão do artista inglês Banksy a respeito do futuro… o site dele está aqui. (boas imagens, grafites etc – vale uma visita).

Em tempo: a Inglaterra é, provavelmente, um dos países mais vigiados do mundo. São 3 milhões de câmeras de vigilância, ou CCTVs, espalhadas por supermercados, lojas, ruas e no futuro, quem sabe, nos pastos também…

São, em tese, equipamentos de segurança.

Mas uma lei permite que qualquer cidadão requisite aos proprietários dessas câmeras suas imagens.

Abaixo, um filme futurista produzido pela artista Manu Luksch a partir de imagens dela própria capturadas por diversas CCTVs em Londres…

4 Comentários

Arquivado em Cultura

Polícias de Rio e SP: qual é a mais letal?

504107232_6df0c7288e_m

Imagem: Jocko B.

Recentemente recebi (repasso as tabelas completas para os interessados) os números oficiais de civis mortos pelas policiais (militar e civil) de Rio e São Paulo.

Algumas conclusões, lendo os números:

1 – a polícia carioca mata mais (bem mais) do que a paulista pelo menos desde o ano de 2001. Há quem ache que a coisa já ganhou impulso próprio.

2 – No Rio nunca a polícia matou tanto quanto em 2007 (1330 pessoas), sob a administração do governador Sérgio Cabral. Em um ano de governo Cabral, a polícia carioca matou mais do que a polícia paulista em três anos somados (2005, 2006 e 2007).

3 —  Isoladamente, a polícia do Rio é mais letal, na média anual, do que as forças de segurança de Israel na Faixa de Gaza e West Bank (média anual de 599 palestinos mortos entre 2001 e 2008 – número tomado antes da última ofensiva militar; fonte:  B´Tselem, organização de direitos humanos de Israel).

A seguir os números:

Mortes de civis pela polícia no estado do Rio de Janeiro, classificadas como “autos de resistência” (dados do Instituto de Segurança Pública)

2007 (Gov Sérgio Cabral) – 1330
2006 (Gov Rosinha Garotinho) – 1063
2005 (Gov Rosinha Garotinho) – 1098
2004 (Gov Rosinha Garotinho) – 983
2003 (Gov Rosinha Garotinho) – 1.195
2002 (Gov Benedita da Silva) – 900
2001 (Gov Anthony Garotinho) — 592

Mortes de civis pela polícia no estado de São Paulo, classificadas como “em confronto” (dados da Secretaria de Segurança Pública):

2007 (Gov José Serra) – 391
2006 (Gov Cláudio Lembo) – 510
2005 (Gov Geraldo Alckmin) – 297
2004 (Gov Geraldo Alckmin) – 623
2003  (Gov Geraldo Alckmin) – 868
2002 (Gov Geraldo Alckmin) – 541
2001 (Gov Geraldo Alckmin) – 385

Obs: Em São Paulo o “recorde” pertence ao governo Luiz A. Fleury Filho (1992), com 1470 mortes.

2 Comentários

Arquivado em Cidadania

Violência: moradores de favela estão encurralados

3249560321_8667e26949

Imagem: Henrique Manreza — Policiais da Tropa de Choque em ação na favela de Paraisópolis (SP), fevereiro de 2009

Algumas reflexões sobre favelas e violência:

1 — Nos anos 1980 dei aulas de alfabetização na favela Jardim Colombo, zona sul de São Paulo. Recentemente voltei à favela para, duas décadas depois, tentar reencontrar antigos alunos – acabei localizando apenas um. Escrevi uma matéria, que saiu na Caros Amigos.

Senti que o que mais mudou de lá para cá, foi a questão da violência. Tive medo. O crime (organizado ou não, não sei) está presente e é uma ameaça constante aos moradores; do outro lado a Polícia, que em suas operações confunde favelados (especialmente os mais jovens) com criminosos. Situação difícil.

2 – Em 2005 esteve no Rio de Janeiro a antropóloga americana Janice Perlman. Desde 1999, Perlman dedicou-se a encontrar as 750 pessoas que ela entrevistara em 3 favelas do Rio (Catacumba, Nova Brasília e loteamentos em Duque de Caxias) nos anos 1960 — e que renderam o livro O Mito da Marginalidade, um clássico da antropologia urbana no Brasil.

Ela conseguiu rever 307 dos entrevistados originais. Mas – contou a este jornalista – não conseguiu pesquisar em algumas áreas, sentiu-se insegura. Uma das impressões dela é que as favelas – por conta do narcotráfico e da violência – tornaram-se realmente lugares perigosos, o que não acontecia antigamente.

3 – Entre 2005 e 2007 o Instituo Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) entrevistaram, em grupos focais, 150 moradores de favelas cariocas. O objetivo era captar as percepções e relatos de moradores de favelas sobre a violência e a insegurança em suas comunidades. Uma das conclusões é que os moradores vivem uma situação de “asfixia”.

Sobre o tráfico, diz o relatório da pesquisa: “Ainda que boa parte dos moradores possa ter crescido junto ou ser parente ou conhecido próximo de traficantes, não é verdade que eles sejam coniventes ou que protejam os bandos de criminosos. Eles lamentam e criticam a eventual participação de parentes e conhecidos nessas atividades, porém não têm condições de evitar a convivência, que é forçada e não desejada”.
Sobre a polícia: “Os moradores fazem duras críticas à atuação da polícia nas favelas em função do caráter indiscriminado das “operações”, que não distinguem “pessoas de bem” de “marginais” (…) São recorrentes e intensas as reclamações quanto às diferenças de tratamento no “asfalto” e na “favela”, o que é atribuído aos estereótipos e preconceitos contra os favelados. Basicamente, os moradores criticam a atuação da polícia por não respeitar as diferenças e hierarquias da ordem social local, com faz “no asfalto”.

Interessados nesta pesquisa e na matéria publicada em Caros Amigos podem solicitar a este blog, que envio.

5 Comentários

Arquivado em Cidadania

Ingleses criam Orquestra da Ansiedade

102-0248_richardb

Foto: Arris Balcus/Mariko Montpetit

Um grupo de artistas na Inglaterra decidiu transformar “equipamentos da indústria de segurança” em música. O resultado foi a Orchestra of Anxiety.

Na instalação, as cordas da harpa (foto acima) foram feitas a partir de arame farpado. Ao ser tocada – com luvas de borracha – a “harpa”, conectada a telões, dispara sons diversos, como, por exemplo, latidos de cães.

A sinfonia é um pouco, digamos, sorumbática. Mas vale pela originalidade. Food for thought, como diriam os britânicos.

Veja o vídeo (ao abrir a tela, aperte no triângulo verde — “click to play vídeo”).

 

Deixe um comentário

Arquivado em Cultura, Política