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Pensando alto sobre o racismo


Imagem: Cris Bierrenbach
Sou branco ibero-descendente. Cheguei a esta fórmula caminhando pelo Aterro do Flamengo alguns anos atrás e pensando a respeito de uma campanha contra o racismo, da qual participei como assessor de imprensa contratado, no Rio de Janeiro. Nunca tinha parado para refletir sobre essa coisa do racismo até aquele momento. O fiz por obrigação profissional.
Então, o que poderia eu falar sobre o racismo?  O que aquilo tinha a ver comigo, afinal de contas? Jamais sofri, até onde lembro, qualquer tipo de preconceito por causa de minha cor de pele. Nunca me abordaram na rua, nem na porta de um restaurante ou hall de hotel. Já fui parado pela polícia, mas como motorista de um carro velho, nunca pela minha aparência. Jamais alguém comentou: lá vai o branco ibero-descendente! (“magrão” foi o apelido mais próximo associado a minhas características físicas que já tive, mas isto entre peladeiros de rua dezenas de anos atrás).
Como poderia contribuir? Afinal havia sido contratado como jornalista exatamente para isto, para ter ideias de comunicação. O diferencial da iniciativa é que a campanha teria como público-alvo os brancos. O “conceito” (toda campanha publicitária tem um) era o de que as pessoas precisavam, em primeiro lugar, admitir seu próprio preconceito, para depois livrar-se dele. Se minha missão era comunicar isto de alguma forma, bem, então melhor começar comigo mesmo para ver no que ia dar.
Já escreveu Carlos Drummond de Andrade, certa vez, que caminhar é ótimo para colocar as ideias no lugar. Neste caso, funcionou, pelo menos em parte.
Suando na orla carioca, primeiro me perguntei se fazia algum sentido considerarmos o “negro” como fonte suficiente de identidade. Se eu nunca tinha pensado em mim mesmo como “branco” como fator de identidade, por que cargas d´água um “negro” o faria? E se assim fosse, bem, então onde colocar esse negócio de racismo?
Para começar, a classificação “branco” me pareceu pouco convincente, abrangente demais. Ok, sou branco, mas muito diferente em aspecto físico do Henrik, meu amigo sueco com quem tomo chopp de vez em quando. Ele é loiro de olhos azuis e tem a pele quase vermelha. Não tenho nada a ver com seu fenótipo. Sou branco, mas diferente dos nórdicos, e, por tabela, dos germânicos, dos anglo-saxões, dos eslavos e assim por diante.
E foi então que tentei outro caminho, me perguntando de onde vim. Do meu avô para cima (todos estão no céu), são, até onde sei, portugueses ou brasileiros mas com antepassados lusitanos. Em Os Lusíadas o primeiro nome próprio que aparece é exatamente o de um Pacheco (ou Jordão, agora não me recordo).
No exercício forçado de auto-definição – e transpirando na pista do Aterro —  cheguei portanto a “branco ibérico”, o que me distinguiria, por exemplo, dos ingleses, alemães, russos e suecos. E me aproximaria de algum modo dos latinos, dos espanhóis, franceses e italianos. Mas como não sou de fato português, mas brasileiro, a definição ficaria falha. Então veio o “descendente”, completando a fórmula que abriu este pequeno ensaio.
A pergunta seguinte foi um inevitável: e daí?
E daí raciocinei que esta minha auto-definição teria algum significado real e concreto apenas se me fosse extremamente útil ou se, por circunstâncias, outros grupos me obrigassem a me sentir como um “branco ibero-descendente”, mesmo que à minha revelia. Mas como seria isto, se eu passasse a ser visto, antes de tudo, como um branco ibero-descendente?
Andando na rua, alguém gritaria, “e aí ibero!”. Possivelmente me sentiria mais à vontade em bares freqüentados também por “iberos”. Músicas, comidas, me lembrariam de que sou “íbero”. Talvez muita gente, de fato, não gostasse dos “iberos” – nosso cheiro seria diferente do dos outros, vai saber.
Viajando nestas conjecturas já deixara o Aterro para trás e subira a Rua Paissandu no Flamengo, a algumas dezenas de metros de casa. Desacelerei o passo, pois a caminhada ajuda na elaboração das ideias, mas é preciso concluí-las minimamente antes de chegarmos ao nosso destino — e ainda não tinha costurado os pensamentos totalmente (se é que vou conseguir até as últimas linhas que restam deste artigo).
Ok, branco ibero-descendente; mas isto não faz sentido na minha vida cotidiana — e basicamente porque ninguém me obriga a lembrar que sou ibero-descendente. E isto na verdade é um alívio. E se não me enxergam deste modo, bem então não há conceitos preconcebidos a meu respeito, não no que diz respeito ao meu fenótipo. Ou seja: por não receber este tipo de preconceito, eu não preciso me identificar de acordo com minha cor de pele ou descendência, ou ambos.
Colocado de outra forma: nossa identidade talvez seja, em certa medida, forjada de fora para dentro, e quando nos sentimos obrigados a incorporar esta identidade (mesmo que à nossa revelia), bem então possamos estar falando de preconceito (de pele, de hábitos, de preferências etc). E muitas vezes esse tipo de atitude quando associada à cor de pele ganha o nome de racismo.
A caminhada rendeu frutos. Certamente não cheguei a conclusões brilhantes mas consegui me aproximar de um tema instigante. E hoje me classifico como um branco ibero-descendente, embora não saiba exatamente a serventia disso.

Em tempo: aqui segue o site da campanha contra o racismo citada no texto.

 

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Jornalismo investigativo nos EUA em dificuldades

Dos 100 maiores jornais americanos, 37% não mantêm repórteres dedicados exclusivamente ao jornalismo investigativo. Apenas 10% das redações tinham profissionais com este perfil, de acordo com uma pesquisa realizada em 2005 pela Arizona State University, citada pelo ótimo site ProPublica.

Situações como esta contribuem para que tenhamos muita opinião sobre tudo na imprensa e na Internet, mas pouca gente dedicada a reconstituir os fatos.

O ProPublica é um site de jornalismo investigativo americano que vale uma visita. Recentemente um de seus fotógrafos foi detido pela polícia no Texas porque fez uma imagem de uma refinaria da BP. De acordo com um agente do FBI que interrogou o jornalista, refinarias são potenciais alvos terroristas, daí a interdição de se fazer fotos. Uhmmm….veja aqui a história completa, em inglês.

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Pausa para: cartum

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“Eu estou ótimo, mas Clark Kent não consegue encontrar um jornal que esteja contratando!”. Peguei no blog do Ricardo Lombardi.

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Imprensa na berlinda

 

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Imagem: Yumi shimada/ym 

Para quem se interessa pelo estado atual da imprensa no mundo, recomendo o artigo da jornalista Argentina Inês Haya, publicado no blog ODiario.Info (que tem entre seus editores o experiente jornalista e escritor Miguel Urbano Rodrigues).

Ela traz uma lista de diversos jornais que faliram – ou estão em sérias dificuldades – nos Estados Unidos, mas também Espanha e Argentina.

Para se ter uma idéia:

O grupo que edita o El Pais (principal jornal espanhol) perdeu 95% de seu valor de bolsa – uma ação vale menos do que um exemplar do jornal; seu concorrente, o El Mundo, também enfrenta problemas financeiros graves.

Em março Seattle amanheceu sem um dos seus principais diários, o The Post Intelligencer (que faliu após 146 anos); no final de 2008 a Tribune Company, segundo grupo midiático dos EUA (proprietário do The Baltimore Sun) foi a nocaute; ainda nos EUA, a Gannett Company – proprietária de 85 diários – eliminou mais de 8 mil postos de trabalho entre 2007 e 2008.

A lista continua e é longa: a empresa que publica o USA Today (diário de maior circulação no EUA) demitiu mil trabalhadores em agosto de 2008; em janeiro de 2009 faliu o The Star Tribune de Minneapolis; na Argentina o grupo La Nación fechou uma revista e começa a demitir.

O que há de comum nesses casos? A jornalista enumera: diminuição de anunciantes, queda das ações, das vendas e leitores.

Por enquanto a estratégia parece ser migrar para o “online” e cobrar pelo conteúdo.

Recentemente a The Economist também trouxe um artigo a respeito do assunto (lembrando que na Inglaterra 70 jornais locais faliram em 2008 e que São Francisco, na Califórnia, pode ser a primeira das grandes cidades americanas a ficar sem um jornal de circulação diária…).

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Jornalismo político de primeira

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Uma boa fonte de consulta sobre fatos da história recente do Brasil é o site com os textos  — as colunas políticas, entre 1963 e 1993 – do jornalista (falecido) Carlos Castello Branco.

Jornalismo político de primeira qualidade.

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Crise financeira e as fontes de informação

Uma boa idéia para acompanhar este momento de incertezas mundiais – de crise financeira – é buscar ângulos de análise diferenciados. Abaixo, algumas sugestões de fontes de informação:
Diário do Povo  — órgão oficial do Partido Comunista Chinês; a China, afinal, é um jogador importante nesta crise. Em inglês.

Granma  — órgão oficial do governo cubano, em português; traz “análises” de Fidel Castro, uma visão, digamos, “terceiromundista”.

The Economist  — revista semanal britânica, informações bem apuradas e visão liberal, em inglês.

Le Monde Diplomatique — edição brasileira, recorte analítico dos fatos.

Der Spiegel – perspectiva germânica.

Itar-Tass – agência russa.

Agência Irna  — visão iraniana…

BBC  — padrão anglo-saxão de jornalismo, em português.

CNN  — seção “mundo”.

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