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Violência: moradores de favela estão encurralados

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Imagem: Henrique Manreza — Policiais da Tropa de Choque em ação na favela de Paraisópolis (SP), fevereiro de 2009

Algumas reflexões sobre favelas e violência:

1 — Nos anos 1980 dei aulas de alfabetização na favela Jardim Colombo, zona sul de São Paulo. Recentemente voltei à favela para, duas décadas depois, tentar reencontrar antigos alunos – acabei localizando apenas um. Escrevi uma matéria, que saiu na Caros Amigos.

Senti que o que mais mudou de lá para cá, foi a questão da violência. Tive medo. O crime (organizado ou não, não sei) está presente e é uma ameaça constante aos moradores; do outro lado a Polícia, que em suas operações confunde favelados (especialmente os mais jovens) com criminosos. Situação difícil.

2 – Em 2005 esteve no Rio de Janeiro a antropóloga americana Janice Perlman. Desde 1999, Perlman dedicou-se a encontrar as 750 pessoas que ela entrevistara em 3 favelas do Rio (Catacumba, Nova Brasília e loteamentos em Duque de Caxias) nos anos 1960 — e que renderam o livro O Mito da Marginalidade, um clássico da antropologia urbana no Brasil.

Ela conseguiu rever 307 dos entrevistados originais. Mas – contou a este jornalista – não conseguiu pesquisar em algumas áreas, sentiu-se insegura. Uma das impressões dela é que as favelas – por conta do narcotráfico e da violência – tornaram-se realmente lugares perigosos, o que não acontecia antigamente.

3 – Entre 2005 e 2007 o Instituo Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) entrevistaram, em grupos focais, 150 moradores de favelas cariocas. O objetivo era captar as percepções e relatos de moradores de favelas sobre a violência e a insegurança em suas comunidades. Uma das conclusões é que os moradores vivem uma situação de “asfixia”.

Sobre o tráfico, diz o relatório da pesquisa: “Ainda que boa parte dos moradores possa ter crescido junto ou ser parente ou conhecido próximo de traficantes, não é verdade que eles sejam coniventes ou que protejam os bandos de criminosos. Eles lamentam e criticam a eventual participação de parentes e conhecidos nessas atividades, porém não têm condições de evitar a convivência, que é forçada e não desejada”.
Sobre a polícia: “Os moradores fazem duras críticas à atuação da polícia nas favelas em função do caráter indiscriminado das “operações”, que não distinguem “pessoas de bem” de “marginais” (…) São recorrentes e intensas as reclamações quanto às diferenças de tratamento no “asfalto” e na “favela”, o que é atribuído aos estereótipos e preconceitos contra os favelados. Basicamente, os moradores criticam a atuação da polícia por não respeitar as diferenças e hierarquias da ordem social local, com faz “no asfalto”.

Interessados nesta pesquisa e na matéria publicada em Caros Amigos podem solicitar a este blog, que envio.

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