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O nosso bairro é sempre mais tranquilo

 

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Imagem: Banksy

Conversando recentemente com uma socióloga especializada em segurança pública, ela me disse uma coisa curiosa. Tanto nas cidades brasileiras, como ao redor do mundo, as pessoas, nas pesquisas, sempre dizem que seu bairro é menos violento do que o restante da cidade. Uma das explicações é que  olhamos nossa vizinhança com lentes de afetividade, favorecendo uma percepção benevolente.

Isto me fez lembrar como o noticiário sempre tem uma carga negativa grande – fatos positivos raramente são “notícia”. Talvez as pessoas sintam-se mais confortáveis ao perceber os perigos do mundo alhures, via TV ou jornais, lá no Afeganistão, na África ou…em qualquer lugar que não seja seu bairro.

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Jovens negros morrem mais no Rio

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Imagem: Dias de Fúria/Cris Bierrenbach

Recebi recentemente um texto da cientista social Silvia Ramos – coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Candido Mendes (RJ) – no qual ela compila diversos dados sobre violência.

Chama a atenção um gráfico sobre o Rio de Janeiro, onde a taxa de homicídios de jovens negros entre 22 e 25 anos atinge picos de 400 por 100 mil habitantes.

Este índice é oito vezes superior à taxa de homicídio juvenil no Brasil (51,5 por 100 mil habitantes). É também mais de quatro vezes a taxa de homicídio juvenil em El Salvador (92,3 por 100 mil), o país onde a violência mais atinge os jovens no mundo, de acordo com tabela apresentada por Silvia Ramos.

Quando ouvirmos falar que há um genocídio contra a população negra e jovem, bem talvez não seja exagero. E não só no Rio: na média nacional, as taxas de homicídio de homens são bastante superiores para negros na faixa etária que vai dos 20 aos 32 anos.

Que passa?

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Violência no Rio, uma nota

Na próxima terça-feira (2 de junho), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulga um estudo que mapeou os locais de moradia das vítimas de homicídio no Rio de Janeiro. Para quem estuda o tema, é para ficar de olho. Os pesquisadores produziram mapas mostrando os locais mais críticos da cidade. O material deverá estar em breve no site da instituição.

Convém lembrar que uma em cada quatro mortes por homicídio na cidade do Rio entre 2003 e 2006 foi de responsabilidade das forças policias (militar e civil). Quando um PM mata uma pessoa, o caso é classificado como “auto de resistência”. Abaixo, o triste placar das mortes de civis pela polícia no estado do Rio de Janeiro, classificadas como “autos de resistência” (dados do Instituto de Segurança Pública)

2007 (Gov Sérgio Cabral) – 1330

2006 (Gov Rosinha Garotinho) – 1063

2005 (Gov Rosinha Garotinho) – 1098

2004 (Gov Rosinha Garotinho) – 983

 2003 (Gov Rosinha Garotinho) – 1.195

 2002 (Gov Benedita da Silva) – 900

 2001 (Gov Anthony Garotinho) — 592

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Polícias de Rio e SP: qual é a mais letal?

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Imagem: Jocko B.

Recentemente recebi (repasso as tabelas completas para os interessados) os números oficiais de civis mortos pelas policiais (militar e civil) de Rio e São Paulo.

Algumas conclusões, lendo os números:

1 – a polícia carioca mata mais (bem mais) do que a paulista pelo menos desde o ano de 2001. Há quem ache que a coisa já ganhou impulso próprio.

2 – No Rio nunca a polícia matou tanto quanto em 2007 (1330 pessoas), sob a administração do governador Sérgio Cabral. Em um ano de governo Cabral, a polícia carioca matou mais do que a polícia paulista em três anos somados (2005, 2006 e 2007).

3 —  Isoladamente, a polícia do Rio é mais letal, na média anual, do que as forças de segurança de Israel na Faixa de Gaza e West Bank (média anual de 599 palestinos mortos entre 2001 e 2008 – número tomado antes da última ofensiva militar; fonte:  B´Tselem, organização de direitos humanos de Israel).

A seguir os números:

Mortes de civis pela polícia no estado do Rio de Janeiro, classificadas como “autos de resistência” (dados do Instituto de Segurança Pública)

2007 (Gov Sérgio Cabral) – 1330
2006 (Gov Rosinha Garotinho) – 1063
2005 (Gov Rosinha Garotinho) – 1098
2004 (Gov Rosinha Garotinho) – 983
2003 (Gov Rosinha Garotinho) – 1.195
2002 (Gov Benedita da Silva) – 900
2001 (Gov Anthony Garotinho) — 592

Mortes de civis pela polícia no estado de São Paulo, classificadas como “em confronto” (dados da Secretaria de Segurança Pública):

2007 (Gov José Serra) – 391
2006 (Gov Cláudio Lembo) – 510
2005 (Gov Geraldo Alckmin) – 297
2004 (Gov Geraldo Alckmin) – 623
2003  (Gov Geraldo Alckmin) – 868
2002 (Gov Geraldo Alckmin) – 541
2001 (Gov Geraldo Alckmin) – 385

Obs: Em São Paulo o “recorde” pertence ao governo Luiz A. Fleury Filho (1992), com 1470 mortes.

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Violência: moradores de favela estão encurralados

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Imagem: Henrique Manreza — Policiais da Tropa de Choque em ação na favela de Paraisópolis (SP), fevereiro de 2009

Algumas reflexões sobre favelas e violência:

1 — Nos anos 1980 dei aulas de alfabetização na favela Jardim Colombo, zona sul de São Paulo. Recentemente voltei à favela para, duas décadas depois, tentar reencontrar antigos alunos – acabei localizando apenas um. Escrevi uma matéria, que saiu na Caros Amigos.

Senti que o que mais mudou de lá para cá, foi a questão da violência. Tive medo. O crime (organizado ou não, não sei) está presente e é uma ameaça constante aos moradores; do outro lado a Polícia, que em suas operações confunde favelados (especialmente os mais jovens) com criminosos. Situação difícil.

2 – Em 2005 esteve no Rio de Janeiro a antropóloga americana Janice Perlman. Desde 1999, Perlman dedicou-se a encontrar as 750 pessoas que ela entrevistara em 3 favelas do Rio (Catacumba, Nova Brasília e loteamentos em Duque de Caxias) nos anos 1960 — e que renderam o livro O Mito da Marginalidade, um clássico da antropologia urbana no Brasil.

Ela conseguiu rever 307 dos entrevistados originais. Mas – contou a este jornalista – não conseguiu pesquisar em algumas áreas, sentiu-se insegura. Uma das impressões dela é que as favelas – por conta do narcotráfico e da violência – tornaram-se realmente lugares perigosos, o que não acontecia antigamente.

3 – Entre 2005 e 2007 o Instituo Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) entrevistaram, em grupos focais, 150 moradores de favelas cariocas. O objetivo era captar as percepções e relatos de moradores de favelas sobre a violência e a insegurança em suas comunidades. Uma das conclusões é que os moradores vivem uma situação de “asfixia”.

Sobre o tráfico, diz o relatório da pesquisa: “Ainda que boa parte dos moradores possa ter crescido junto ou ser parente ou conhecido próximo de traficantes, não é verdade que eles sejam coniventes ou que protejam os bandos de criminosos. Eles lamentam e criticam a eventual participação de parentes e conhecidos nessas atividades, porém não têm condições de evitar a convivência, que é forçada e não desejada”.
Sobre a polícia: “Os moradores fazem duras críticas à atuação da polícia nas favelas em função do caráter indiscriminado das “operações”, que não distinguem “pessoas de bem” de “marginais” (…) São recorrentes e intensas as reclamações quanto às diferenças de tratamento no “asfalto” e na “favela”, o que é atribuído aos estereótipos e preconceitos contra os favelados. Basicamente, os moradores criticam a atuação da polícia por não respeitar as diferenças e hierarquias da ordem social local, com faz “no asfalto”.

Interessados nesta pesquisa e na matéria publicada em Caros Amigos podem solicitar a este blog, que envio.

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Polícia é responsável por 25% dos homicídios no Rio

Uma em cada quatro mortes por homicídio na cidade do Rio entre 2003 e 2006 foi de responsabilidade das forças policias (militar e civil). Quando um PM mata uma pessoa, o caso é classificado como “auto de resistência”.

Pesquei este dado no IPEA.

Mostra que a polícia carioca (em particular a militar) desistiu de enxugar gelo…sai atirando.

Quando as polícias serão reformadas?

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