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Violência no Rio, uma nota

Na próxima terça-feira (2 de junho), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulga um estudo que mapeou os locais de moradia das vítimas de homicídio no Rio de Janeiro. Para quem estuda o tema, é para ficar de olho. Os pesquisadores produziram mapas mostrando os locais mais críticos da cidade. O material deverá estar em breve no site da instituição.

Convém lembrar que uma em cada quatro mortes por homicídio na cidade do Rio entre 2003 e 2006 foi de responsabilidade das forças policias (militar e civil). Quando um PM mata uma pessoa, o caso é classificado como “auto de resistência”. Abaixo, o triste placar das mortes de civis pela polícia no estado do Rio de Janeiro, classificadas como “autos de resistência” (dados do Instituto de Segurança Pública)

2007 (Gov Sérgio Cabral) – 1330

2006 (Gov Rosinha Garotinho) – 1063

2005 (Gov Rosinha Garotinho) – 1098

2004 (Gov Rosinha Garotinho) – 983

 2003 (Gov Rosinha Garotinho) – 1.195

 2002 (Gov Benedita da Silva) – 900

 2001 (Gov Anthony Garotinho) — 592

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O que é prioridade: fazer um muro ou uma creche?

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Pão de Açúcar visto do Santa Marta
Imagem: Márcia Mesquita 

Como muitos sabem, o Morro Santa Marta, em Botafogo, no Rio, está ocupado “socialmente” pela Polícia Militar. É um experiência piloto. A idéia é aliar a presença da polícia a melhoras sociais, com o apoio dos governos municipal, estadual e federal.

Mas uma das iniciativas já anunciadas pela prefeitura é construir um muro ladeando a favela, para evitar sua expansão.

E no alto do morro, o que era para ser uma escola “virou” – após a “ocupação social”  —  posto de policiamento (o prédio vinha sendo construído há anos e incomodava parte dos moradores do “asfalto”, pois temia-se que o local virasse um “bunker” do tráfico).

A simbologia desses fatos não parece boa.

Os dados do IBGE para Botafogo apontam, por exemplo, que 61% das crianças de 4 anos estão fora da escola nas favelas do bairro (no asfalto o índice é de 15%); entre as crianças de 3 anos, 27% nas favelas são sem-creche (contra 5% no asfalto).

Não seria melhor começar uma “ocupação social” por oferecer mais vagas em creches?

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Polícias de Rio e SP: qual é a mais letal?

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Imagem: Jocko B.

Recentemente recebi (repasso as tabelas completas para os interessados) os números oficiais de civis mortos pelas policiais (militar e civil) de Rio e São Paulo.

Algumas conclusões, lendo os números:

1 – a polícia carioca mata mais (bem mais) do que a paulista pelo menos desde o ano de 2001. Há quem ache que a coisa já ganhou impulso próprio.

2 – No Rio nunca a polícia matou tanto quanto em 2007 (1330 pessoas), sob a administração do governador Sérgio Cabral. Em um ano de governo Cabral, a polícia carioca matou mais do que a polícia paulista em três anos somados (2005, 2006 e 2007).

3 —  Isoladamente, a polícia do Rio é mais letal, na média anual, do que as forças de segurança de Israel na Faixa de Gaza e West Bank (média anual de 599 palestinos mortos entre 2001 e 2008 – número tomado antes da última ofensiva militar; fonte:  B´Tselem, organização de direitos humanos de Israel).

A seguir os números:

Mortes de civis pela polícia no estado do Rio de Janeiro, classificadas como “autos de resistência” (dados do Instituto de Segurança Pública)

2007 (Gov Sérgio Cabral) – 1330
2006 (Gov Rosinha Garotinho) – 1063
2005 (Gov Rosinha Garotinho) – 1098
2004 (Gov Rosinha Garotinho) – 983
2003 (Gov Rosinha Garotinho) – 1.195
2002 (Gov Benedita da Silva) – 900
2001 (Gov Anthony Garotinho) — 592

Mortes de civis pela polícia no estado de São Paulo, classificadas como “em confronto” (dados da Secretaria de Segurança Pública):

2007 (Gov José Serra) – 391
2006 (Gov Cláudio Lembo) – 510
2005 (Gov Geraldo Alckmin) – 297
2004 (Gov Geraldo Alckmin) – 623
2003  (Gov Geraldo Alckmin) – 868
2002 (Gov Geraldo Alckmin) – 541
2001 (Gov Geraldo Alckmin) – 385

Obs: Em São Paulo o “recorde” pertence ao governo Luiz A. Fleury Filho (1992), com 1470 mortes.

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Violência: moradores de favela estão encurralados

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Imagem: Henrique Manreza — Policiais da Tropa de Choque em ação na favela de Paraisópolis (SP), fevereiro de 2009

Algumas reflexões sobre favelas e violência:

1 — Nos anos 1980 dei aulas de alfabetização na favela Jardim Colombo, zona sul de São Paulo. Recentemente voltei à favela para, duas décadas depois, tentar reencontrar antigos alunos – acabei localizando apenas um. Escrevi uma matéria, que saiu na Caros Amigos.

Senti que o que mais mudou de lá para cá, foi a questão da violência. Tive medo. O crime (organizado ou não, não sei) está presente e é uma ameaça constante aos moradores; do outro lado a Polícia, que em suas operações confunde favelados (especialmente os mais jovens) com criminosos. Situação difícil.

2 – Em 2005 esteve no Rio de Janeiro a antropóloga americana Janice Perlman. Desde 1999, Perlman dedicou-se a encontrar as 750 pessoas que ela entrevistara em 3 favelas do Rio (Catacumba, Nova Brasília e loteamentos em Duque de Caxias) nos anos 1960 — e que renderam o livro O Mito da Marginalidade, um clássico da antropologia urbana no Brasil.

Ela conseguiu rever 307 dos entrevistados originais. Mas – contou a este jornalista – não conseguiu pesquisar em algumas áreas, sentiu-se insegura. Uma das impressões dela é que as favelas – por conta do narcotráfico e da violência – tornaram-se realmente lugares perigosos, o que não acontecia antigamente.

3 – Entre 2005 e 2007 o Instituo Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) entrevistaram, em grupos focais, 150 moradores de favelas cariocas. O objetivo era captar as percepções e relatos de moradores de favelas sobre a violência e a insegurança em suas comunidades. Uma das conclusões é que os moradores vivem uma situação de “asfixia”.

Sobre o tráfico, diz o relatório da pesquisa: “Ainda que boa parte dos moradores possa ter crescido junto ou ser parente ou conhecido próximo de traficantes, não é verdade que eles sejam coniventes ou que protejam os bandos de criminosos. Eles lamentam e criticam a eventual participação de parentes e conhecidos nessas atividades, porém não têm condições de evitar a convivência, que é forçada e não desejada”.
Sobre a polícia: “Os moradores fazem duras críticas à atuação da polícia nas favelas em função do caráter indiscriminado das “operações”, que não distinguem “pessoas de bem” de “marginais” (…) São recorrentes e intensas as reclamações quanto às diferenças de tratamento no “asfalto” e na “favela”, o que é atribuído aos estereótipos e preconceitos contra os favelados. Basicamente, os moradores criticam a atuação da polícia por não respeitar as diferenças e hierarquias da ordem social local, com faz “no asfalto”.

Interessados nesta pesquisa e na matéria publicada em Caros Amigos podem solicitar a este blog, que envio.

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Polícia é responsável por 25% dos homicídios no Rio

Uma em cada quatro mortes por homicídio na cidade do Rio entre 2003 e 2006 foi de responsabilidade das forças policias (militar e civil). Quando um PM mata uma pessoa, o caso é classificado como “auto de resistência”.

Pesquei este dado no IPEA.

Mostra que a polícia carioca (em particular a militar) desistiu de enxugar gelo…sai atirando.

Quando as polícias serão reformadas?

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