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A CIA enxerga vodus no Brasil

A CIA, a agência de inteligência americana, mantém em seu site uma seção chamada “The World Fact Book”, algo como “O Livro dos Fatos do Mundo”, em que reúne informações gerais sobre todos ou quase todos países do planeta. E eis que no item “people” da página dedicada ao Brasil, a CIA aponta que 0,3% da população cultua a religião “Bantu/voodoo” (e dá como crédito o Censo de 2000).

Bantos? Vodus? Estas palavras não aparecem no Censo oficial.

 Na verdade, o 0,3% da CIA corresponde, no Censo do IBGE, à soma de duas religiões com parentesco na África: Umbanda e Candomblé.

 Umbanda e Candomblé viraram no site americano, sabe-se lá se nesta ordem, pouco importa, “Banto” (que é não é propriamente uma religião, mas um grupo etnicolinguístico, entre os diversos que vieram da África para o Brasil) e Vodus (que encontra seu culto mais fortemente presente em países como o Haiti, e apenas perifericamente no Brasil).

Parece que botaram whisky na feijoada.

 Se o pessoal da CIA trabalha as informações com esta acuidade lá pelos lados do Oriente Médio e Ásia Central – regiões que representam de fato “ameaça” aos EUA – bem, então, o contribuinte americano deveria colocar as barbas de molho.

Agora, e mudando de assunto ligeiramente, será curioso especular sobre quais associações dispara, na mente do americano médio, a palavra “Vodus”. O trecho do filme de 007, Live and Let Die (1973), abaixo, pode, quem sabe, sugerir pistas.

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The Economist: nos EUA, 64% usam Google

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O “mercado de buscas” na internet nos Estados Unidos é dominado pelo Google (64%), seguido por Yahoo (20%) e Live, da Microsoft (8%).

Os dados estão em uma matéria interessante da revista The Economist, que antecipa algumas novas tecnologias de busca que estão sendo desenvolvidas. Segundo a publicação, as empresas estudam soluções para refinar as buscas, para que o usuário encontre respostas para suas questões.

Uma das ideias é organizar o buscador de modo que este “antecipe os interesses de quem faz a busca”, diminuindo brechas para informações aleatórias. Conversa de ficção científica, mas para ficar de olho…

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Pensamentos sobre “o fato” nos tempos atuais

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Imagem: f/508

Um aspecto em aberto no mundo virtual é o da qualidade da informação. Os erros estão disponíveis em abundância na internet.

 Daí que um dos objetivos deste blog é testar a possibilidade de, a um ritmo quase diário (mania de jornalista), “postar” informações que sejam, ao mesmo tempo, interessantes e factíveis. Uma preocupação é sempre indicar a fonte da informação – e que esta seja, é claro, de confiança.

Neste sentido registro duas notas sobre a Wikipedia.

Recentemente, a enciclopédia online “matou”, precipitadamente, um político americano, conforme saiu no jornal Independent.

No livro 1808, o jornalista Laurentino Gomes escreve que, em meados de 2006, a Wikipedia registrava incorretamente a data de partida da família real portuguesa para o Brasil – 7 de novembro de 1807, em vez de 29 de novembro de 1807 (veja na página 24).

E por aí vai.

Já os jornais impressos, abusam do condicional, o noticiário está repleto de “seria”, “estaria”, “teria”. Já repararam? Uma espécie de reino do João-sem-abraço, no qual o leitor é quem sai perdendo (tempo e dinheiro).

Esta é uma questão que me inquieta: como recuperar o fato (no sentido “daquilo que aconteceu”)?

Na era digital, me parece que o fato perde, cada vez mais, importância – tal a quantidade de informação disponível, o fato perde-se em múltiplas versões, sucessivos “cortar e colar”.

Uma solução – em busca de fatos – poderiam ser os livros. Mas isto também não é garantido. Pesquisando recentemente em bibliotecas sobre um personagem do século XIX, encontrei diferentes versões para informações simples, como o nome completo da pessoa, local de moradia, local de nascimento etc.

Não é porque está no livro que é verdade. Autores se copiam, ao longo dos anos, entre si, e nem sempre se preocupam se estão ou não passando adiante informações precisas. Em se tratando de História, isto é problemático; por mais que a História seja, de certo modo, uma “fantasia organizada”, esta precisa estar calcada em fatos.

Bom, talvez seja que, no fundo, nada mudou: recuperar fatos foi e é uma tarefa penosa.

A diferença é que agora há muito mais joio e trigo a serem separados – um erro (acidental ou não) que antes ficava arquivado em uma prateleira durante anos, agora ganha o mundo na velocidade do pensamento. Para o bem e para o mal….

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Política, internet e eleições

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Imagem: brubeck

A maneira como a Internet interfere na política – e nas campanhas eleitorais – pode gerar estudos interessantes.

Uma pesquisa sobre o comportamento do eleitorado americano em 2008, na disputa presidencial que elegeu Obama, feita pela Pew Internet & American Life Project, por exemplo,  mostra que 74% dos usuários da rede nos EUA (ou 55% da população adulta total) utilizaram a Internet para coletar informações sobre as eleições.

Cerca de metade (45%) acessou vídeos de campanha via a web e um terço repassou mensagens com conteúdo político.

Foram entrevistadas 2.542 pessoas entre novembro e dezembro de 2008 – veja o resumo aqui (em inglês).

No Brasil, um livro da Fundação Perseu Abramo – A Mídia nas Eleições de 2006 (Organizado por Venício A. de Lima) – sugere que por aqui a influência da Internet também se faz sentir: ela possibilita o surgimento de novos “formadores de opinião” (ONGs, pensadores, associações, grupos etc), que podem servir como contraponto crítico às mensagens de políticos, grande mídia etc.

A idéia é instigante, embora seja, por enquanto, apenas uma boa hipótese.

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Brasil rivaliza com EUA e Índia em número de idiomas no território

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No Brasil há 190 línguas catalogadas pelo Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) que correm o risco de extinção ou foram extintas em passado recente.

As informações são do Atlas de Línguas em Risco no Mundo, cuja versão online traz boas informações sobre onde estão estas comunidades no Brasil (basicamente povos indígenas), quantas pessoas ainda falam aquela língua e o “grau” de possibilidade de desaparecimento. Há dados de idiomas como Aikana, Ajuru, Cubeo, Guajá… 

Os dados da Unesco sugerem que a diversidade lingüística no Brasil é das maiores do mundo: rivalizamos (e aqui tomo como medida o número de idiomas em risco) com a Índia (196 línguas em risco) e os Estados Unidos (192).

A versão digital do Atlas da Unesco pode ser visto aqui: basta colocar o nome do país que deseja pesquisar — no mapa, a cor da bola indica o risco daquele idioma sumir. As bolas pretas indicam línguas que desapareceram (ano, local e, por vezes, o nome do último “falante”).

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