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Suécia, uma nota

(Imagem: Ricardo Carioba)
Um amigo sueco me contou uma história que ilustra bem a crise dos jornais impressos no mundo.

O Helsingborgs Dagblad, HD, quinto jornal da Suécia, decidiu entregar exemplares grátis nas casas de não-assinantes. A campanha promocional começou numa segunda-feira pela manhã e foi suspensa na seqüência. Motivo: centenas de pessoas ligaram para o jornal reclamando que haviam recebido uma massa de papel às suas portas – e que não queriam a  obrigação de levar o material para a reciclagem.

Parece haver mais nessa crise dos jornais do que a mera concorrência com a Internet….

E isto me lembrou uma informação que li no livro O Reino e o Poder – Uma História do New York Times, do jornalista e escritor americano Gay Talese. Ele conta que em 1967 (eram tempos áureos) a edição dominical do New York Times pesava entre 2 e 3 quilos, com tiragem de 1,6 milhão de exemplares. (na pagina 453)
Ou seja: em apenas um domingo, o NTY poderia circular nada menos do que 4.800 toneladas de papel.
De arrepiar qualquer sueco!

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Imprensa na berlinda

 

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Imagem: Yumi shimada/ym 

Para quem se interessa pelo estado atual da imprensa no mundo, recomendo o artigo da jornalista Argentina Inês Haya, publicado no blog ODiario.Info (que tem entre seus editores o experiente jornalista e escritor Miguel Urbano Rodrigues).

Ela traz uma lista de diversos jornais que faliram – ou estão em sérias dificuldades – nos Estados Unidos, mas também Espanha e Argentina.

Para se ter uma idéia:

O grupo que edita o El Pais (principal jornal espanhol) perdeu 95% de seu valor de bolsa – uma ação vale menos do que um exemplar do jornal; seu concorrente, o El Mundo, também enfrenta problemas financeiros graves.

Em março Seattle amanheceu sem um dos seus principais diários, o The Post Intelligencer (que faliu após 146 anos); no final de 2008 a Tribune Company, segundo grupo midiático dos EUA (proprietário do The Baltimore Sun) foi a nocaute; ainda nos EUA, a Gannett Company – proprietária de 85 diários – eliminou mais de 8 mil postos de trabalho entre 2007 e 2008.

A lista continua e é longa: a empresa que publica o USA Today (diário de maior circulação no EUA) demitiu mil trabalhadores em agosto de 2008; em janeiro de 2009 faliu o The Star Tribune de Minneapolis; na Argentina o grupo La Nación fechou uma revista e começa a demitir.

O que há de comum nesses casos? A jornalista enumera: diminuição de anunciantes, queda das ações, das vendas e leitores.

Por enquanto a estratégia parece ser migrar para o “online” e cobrar pelo conteúdo.

Recentemente a The Economist também trouxe um artigo a respeito do assunto (lembrando que na Inglaterra 70 jornais locais faliram em 2008 e que São Francisco, na Califórnia, pode ser a primeira das grandes cidades americanas a ficar sem um jornal de circulação diária…).

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New York Times pede a leitores que mandem fotos que retratem crise

Boa dica que peguei no blog Desculpe a Poeira:
Os leitores do New York Times, a pedido do jornal, estão mandando fotos que retratem os tempos atuais de recessão em suas comunidades. Boa idéia. Veja aqui. E mande a sua, se quiser.
Vale a pena dar uma passeada; as fotos estão acompanhadas por pequenos textos.

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Slate: Youtube terá perdas de US$ 470 mi em 2009

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A Slate Magazine reproduz um artigo de Farhad Manjoo com um dado para ficar de olho: o Google perderá este ano US$ 470 milhões com o Youtube. A fonte da informação é uma companhia de investimentos chamada Credit Suisse. Motivo: os custos de estocar e distribuir o conteúdo são superiores ao que se consegue com publicidade.

 De acordo com a Slate, apenas 10% das páginas do Youtube têm anúncios; para a publicação, os  “anunciantes não se mostram dispostos a patrocinar vídeos e fotos caseiras”.

Aparentemente, os bilhões de acessos/ano ao Youtube não se transformaram em cifrões.

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The Economist pergunta: ricos devem pagar mais impostos?

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Imagem: The Croopier 

O site da revista The Economist está com uma enquete interessante. A pergunta é: os ricos deveriam pagar mais impostos para reduzir as desigualdades sociais? A votação online – que por ora segue empatada – vai até o dia 17 de abril (para votar é necessário fazer cadastro).

Vale a pena dar uma olhada nos vários artigos de opinião à disposição na página (contra e a favor, em inglês) – iluminam um debate atual.

Em sua versão impressa, a revista lembrou, recentemente, que aumentou a diferença de renda nos EUA nos últimos 30 anos: em 1979, 0,1% dos americanos mais ricos tinham renda 20 vezes superior à dos 90% mais pobres; em 2006, essa diferença pulara para 77 vezes (fruto, diz a revista, entre outros, da “financeirização” da riqueza – ou, nas minhas palavras, do milagre da reprodução de derivativos). Este fator – bem como a recente crise, cuja conta produzida por financistas (ricos) é paga pelos contribuintes – alimentaram, sugere a revista, o ressentimento contra os “ricos” de modo geral.

Enfim, um bom debate.

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The Economist: desemprego pode gerar crises políticas

A  Economist Intelligence Unit (EIU, um braço de análises da revista britânica The Economist) desenvolveu um Índice de Instabilidade Política.

De acordo com o Índice de 2009, 95 países ao redor do mundo estão em uma zona de “alto risco” de instabilidade política, principalmente na África– em 2007 eram 35 países.

Segundo a The Economist, o desemprego causado pela crise financeira, está no “coração” da instabilidade política (entendida como “situações que ameaçam governos ou a ordem política existente”).

Neste ranking o Brasil encontra-se sob risco “moderado” de instabilidade.

Veja aqui um resumo em inglês. Abaixo, um mapa com os resultados.

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Gastos militares dos EUA chegam a US$ 578 bi

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Imagem: Gadjo Dilo 

Os gastos militares dos Estados Unidos chegaram, em 2007, a incríveis US$ 578 bilhões. A cifra cresce ano-a-ano desde 1998 (quando foram gastos US$ 274 bilhões). As informações são do site do Stockholm International Peace Research Institute.

Será interessante acompanhar se, com a crise financeira, estes gastos serão reduzidos – ou se, pelo contrário, a indústria bélica servirá de motor econômico para a recuperação.

Mas o fato é que do ponto de vista militar não há comparação possível.

Se somarmos o que gastaram em 2007 países como China (US$ 58 bi) e Rússia (US$ 35 bi) – ambos países não-alinhados –, mal chega-se a um quinto da verba americana.

Aliás, em segundo lugar no ranking, vem um aliado histórico dos EUA, a Inglaterra (US$ 59 bi).

Já o Irã – visto como “ameaça” – gastou US$ 6,5 bi, ou cerca de 1% do total gasto pelos EUA (no Brasil foram US$ 15 bi).

Para pesquisar, clique aqui e selecione o país (consulta fácil; dados de 165 nações disponíveis).

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