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Na China, internauta é “netizen”

Buscando outro dia notícias sobre a China no site do Diário do Povo (órgão oficial do governo chinês), descobri uma coisa interessante. Os chineses referem-se aos internautas como “netizens”.

Nunca tinha lido ou ouvido esta expressão. Aparentemente trata-se de um neologismo formado a partir das palavras net (rede) e citizen (cidadão).

Em um dicionário online encontrei a seguinte definição para “netizen”:

cidadão da Internet (aquele que vê na Internet uma comunidade social e cultural); indivíduo que se utiliza da Internet para expressar suas idéias em discussões e votações.

Curioso que justamente na China – país visto pelo senso-comum ocidental (americano) como lugar onde não há “liberdade de expressão” – este termo (tão, digamos assim, politizado) seja utilizado.

Para ficar atento, afinal, 1 em cada 6 usuários de Internet no mundo é chinês (lá são 180 milhões online, superando os EUA em números absolutos).

E uma pesquisa recente divulgada pela Xinhua (agência de notícias chinesa) listou as principais preocupações dos “netizens” chineses, sendo que corrupção é o que lidera.

A pesquisa detectou também que os “netizens” chineses acham que a Internet deveria controlar o governo – e não o contrário. Para um país onde não há “liberdade de expressão”, até que é uma proposição bastante avançada…

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Preconceito contra favelas

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No início deste ano, o Ibase, do Rio de Janeiro, realizou quatro grupos focais com moradores de dentro e fora de favelas para detectar a percepção de uns e de outros sobre o que é morar em favela (para interessados posso enviar o relatório).

Chama a atenção a prevalência de um discurso bastante preconceituoso do carioca. Foi perguntado se “favela é cidade?”. Veja duas respostas:

 “Acho que é tipo um erro da cidade. É a parte que a cidade não queria ter” (Jovem, 23 anos, estudante universitário, morador da Barra).

“É uma cidade, mas não é a nossa cidade.” (Mulher, 60 anos, Superior Completo, diretora de escola, moradora de Copacabana).

Além disso, entre moradores do “asfalto” ideias como “controle de natalidade nas favelas”, “remoção”, entre outras, ainda encontram eco.

“Deveriam proibir a moça na favela de reproduzir”, disse, no Grupo Focal, um homem de 36 anos, morador de Bonsucesso.

 Não sei se posições preconceituosas são maioria, mas revelam um sentimento difuso entre muita gente da classe média carioca, de que é possível ter na metrópole  cidadãos plenos e quase-cidadãos.

Está aí uma faceta do atraso do Rio, que aponta para o século XIX.

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