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As empresas que fornecem armas para os EUA

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Imagem: rsconnett

Acabo de ler um livro excelente: O Senhor Embaixador, do Erico Veríssimo. O protagonista é um embaixador em Washington da fictícia república centro-americana de Sacramento, às voltas com um governo ditatorial, finalmente deposto por uma revolução. Isto nos idos de 1960. 

Mas lá pelas tantas, uma das personagens do livro cita um certo Major-General do exército dos Estados Unidos, Smedley D. Butler, que após servir 33 anos no Corpo de Fuzileiros-Navais, saiu em 1931 pelo país espalhando o seu livro War is a Racket (algo como “A Guerra é uma Jogatina”). Neste livro – que de fato existe — Butler descreve como campanhas militares americanas no México, Haiti, Cuba, Nicarágua, Honduras, serviram explicitamente para transformar estes países em “lugares decentes” para os negócios de  empresas de petróleo, de frutas, bancos, entre outras (no final do século XIX e início do XX). Escreveu o Major-General 78 anos atrás: “Olhando para todo esse passado, sinto que poderia dar a Al Capone algumas sugestões. O mais que ele conseguiu foi operar seu racket (sua rede) em três distritos duma cidade. Nós, os Marines, operamos em três continentes”.

Achei uma “sociedade” em homenagem a Butler, cujo site, de cunho pacifista, traz boas informações sobre o tempo presente.

Clicando neste site, cheguei à pagina do Government Executive, um grupo de mídia especializado em assuntos do governo federal americano. Vale a pena dar uma olhada na lista dos maiores contratos firmados pelo governo americano com companhias na área militar (para o ano fiscal de 2008). Lideram o ranking: Lockheed Martin Corp (US$ 30 bi), Northrop Grumman Corp (US$ 23 bi) e Boeing Co (US$ 23 bi).

Quanto mais guerra, mais dinheiro para essa turma. Sob esta ótica, um atoleiro no Afeganistão não seria assim tão ruim…e um conflito com o Irã, então, já imaginou??

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Arquivado em Política Internacional

De onde vem o dinheiro dos Talibans?

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 Imagem: Moslihh

 Para quem acompanha notícias internacionais, particularmente o que acontece no Afeganistão, recomendo um texto da jornalista americana Jean Mackenzie, correspondente do Global Post em Cabul (aqui traduzido para o português pelo blog ODiario.info).

A jornalista diz que, diferentemente do que se acredita, o dinheiro dos Talibans não vem majoritariamente do comércio de ópio (o Afeganistão é o principal fornecedor de papoulas para heroína), mas sim de Estados do Golfo Pérsico e de recursos desviados…dos próprios americanos.

Segundo Mackenzie, os talibans necessitam de algo entre US$ 100 milhões e US$ 300 milhões ao ano para manter sua máquina de guerra. Ela aponta que boa parte do dinheiro advém de extorsões e cobranças por proteção a construtoras afegãs contratadas pelo governo dos EUA (e de outras fontes internaconais) para tocarem obras pelo país, como estradas e pontes.

Mackenzie apurou que quando fecha um contrato para obras em áreas sob influência dos Talibans, a construtora já separa 20% para os próprios. Uma espécie de pedágio, onde os Talibans permitem o término da obra, para muitas vezes, destruí-la depois (ou seja, após todos terem recebido a sua parte).

Eis a lógica da guerra na Ásia Central….

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Arquivado em Política Internacional

O Tamanho da encrenca

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Acima um quadro com o número de soldados estrangeiros atualmente no Afeganistão, com EUA à frente, publicado recentemente no site da revista The Economist.

Em julho as forças americanas lançaram novas ofensivas para ganhar controle sobre um certo vale na província de Helmand, uma região estratégica, segundo a revista, que tropas da OTAN não conseguem controlar há anos. É, também, a área onde mais se cultiva a papoula para a produção de ópio.

Como se vê, encrenca séria.

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Arquivado em História

Enquanto isso, em Kandahar…

Não por acaso, a agência iraniana Irna, dá destaque nesta quarta-feira para um ataque de aviões americanos ao vilarejo de Wech Baghtu, na província de Kandahar, no Afeganistão, na última segunda-feira, que deixou (e aqui são notícias de guerra, jamais totalmente confiáveis) 37 pessoas mortas em uma festa de casamento. A agência (a Associated Press também produziu matéria no local) destaca que o primeiro pedido do presidente afegão, Hamid Karzai, ao recém-eleito Barack Obama, em entrevista coletiva hoje, foi para que se cessem os ataques com vítimas civis no país.

O destaque dado pela Irna ao ocorrido (bem como, possivelmente, a própria declaração de Karzai) não é inocente: Obama prometeu em campanha deslocar o foco da guerra do Iraque para o Afeganistão, particularmente em áreas de fronteira com o Paquistão.

Em termos de defesa de interesses americanos ao redor do globo (por via militar, inclusive), democratas (Lyndon Johnson no Vietnã; Clinton na Bósnia) e republicanos não guardam grandes diferenças entre si…

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Arquivado em Mídia, Política Internacional