Lixo no mar entre Brasil e África será mapeado

(Acima, espécie de rede, que acoplada ao barco, coleta amostras de plástico)

Parte do Rio de Janeiro, em agosto próximo, a primeira expedição que mapeará a situação do lixo plástico no Oceano Atlântico Sul entre o Brasil e a África. O projeto está sendo levado adiante pela Fundação Algalita, instituição baseada na Califórnia (EUA) que pesquisa o problema dos restos plásticos nos mares, em especial nas correntes oceânicas. “No Oceano Pacífico Norte (onde há dez anos são feitas coletas sistemáticas na faixa entre a costa oeste americana e o Havaí) o problema do lixo plástico na água vem aumentando. Agora vamos pesquisar correntes oceânicas em outras partes do mundo”, explica, em entrevista por e-mail a este blog, o Dr. Marcus Eriksen, responsável pela área de Desenvolvimento de Projetos da Fundação.
Parte preocupante da questão, é que, ao menos no Pacífico Norte, os cientistas coletaram amostras de peixes que continham restos plásticos em seus organismos. Esta, evidentemente, não é uma informação das mais palatáveis: além de ser um detrito em si, o plástico, ao decompor-se em micro-partículas nos mares, acaba absorvendo outros poluentes. Acompanhe a conversa com o Dr Eriksen:
Entrementes: Como será a expedição pelo Atlântico Sul?
Dr. Eriksen: Ela será dividida em três fases. Em agosto deveremos sair do Rio de Janeiro rumo às ilhas Ascenção (no meio do Atlântico), retornando para a cidade do Recife. Na seqüência, partiremos novamente do Rio rumo à Cidade do Cabo (África do Sul), pela via da corrente marítima sub-tropical do Atlântico Sul. E em dezembro, retornaremos para a América do Sul, explorando o lado sul desta corrente. O principal objetivo é pesquisar a quantidade bem como o tipo de lixo plástico existente nesta parte do Oceano. Nós também coletaremos amostras de peixes para saber se há ingestão de plástico e a presença de poluentes em seus tecidos e órgãos.
Entrementes: Mas por que pesquisar as correntes marítimas e não outras zonas, como as costeiras, por exemplo?
Dr. Eriksen: As correntes marítimas, como as cinco sub-tropicais existentes no mundo, e que são as maiores, são zonas naturais de acúmulo de restos plásticos. De uma maneira ou de outra, já pesquisamos três das correntes sub-tropicais. Nos faltam agora as do Atlântico Sul e a do Pacífico Sul. No passado, os restos que encontrávamos nestas correntes eram troncos de árvores e cascas de coco. Agora não é mais assim: entre 60% e 80% do que nossos pesquisadores encontram é plástico.
Entrementes: E de onde vem o lixo plástico que flutua nos Oceanos, afinal?
Dr. Eriksen: A principal fonte de lixo plástico nos mares são os restos gerados pela indústria de pesca, como boias, linhas e redes. Mas há também os produtos plásticos descartados como lixo nos diversos países. Acredito que a solução do problema passa necessariamente pelas indústrias. Se você fabrica um produto, é preciso que ele seja totalmente, ou quase totalmente, reciclável, ou que seja feito de componentes 100% biodegradáveis. E o plástico, definitivamente não se encaixa neste perfil. A prática de se descartar o plástico deve ser abolida.
Entrementes: A Fundação Algalita pesquisa há 10 anos a situação do lixo plástico na corrente sub-tropical do Pacífico Norte. Há algum balanço desta experiência?
Dr. Eriksen: Nós podemos dizer com segurança que a presença de restos plásticos nesta parte do Oceano tem aumentado. No caso, o plástico provem de países como o Japão, China, Estados Unidos, México e Canadá. É importante pesquisar o resto plástico, já que outros poluentes são absorvidos por este no mar, como PCBs (policlorobifenilos, um poluente orgânico), DDT (pesticida), PAHs (hidrocarboneto) e outros derivados de combustíveis fósseis.
Entrementes: Em pesquisas no Pacífico, vocês coletaram amostras de peixes que continham plástico em seus organismos. Quais as conseqüências disso?
Dr. Eriksen: As nossas pesquisas mostram que os peixes têm ingerido partículas de plástico quando eles sobem à superfície para caçar alimentos. E quando o plástico boia no mar, ele absorve, naturalmente, outros tipos de poluentes. Não sabemos ainda se o peixe, ao ingerir o plástico, também acaba absorvendo estes outros poluentes – que por sua vez, pela lógica da cadeia alimentar, estariam sendo consumidos por seres humanos no final da linha. É neste ponto em que concentram-se, agora, os nossos estudos.
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