Cientistas “pescam” plástico em alto-mar

Um excelente site para quem quer saber mais sobre o grave problema do lixo (em especial plástico) nos oceanos é o do Algalita Marine Research Foundation. Baseada na Califórnia, a fundação realiza há dez anos pesquisas sistemáticas sobre a quantidade de resíduos plásticos existente na chamada corrente marítima do Pacífico Norte. O levantamento abrange uma área que vai da costa dos Estados Unidos até o Havaí, o que em linha reta daria algo como umas cinco mil milhas. Os pesquisadores acoplam ao barco uma espécie de rede e coletam suas amostras (divididas em “plástico fino”, “polietileno”, entre outras — foto acima). Embora não haja dados conclusivos, a observação dos cientistas é que, a cada ronda anual, as rotas apresentam cada vez mais plástico em suas águas. Outro ponto, é que peixes passam a ingerir micro pedaços plásticos, para o que, segundo o site, “não se sabe ainda as conseqüências”.
Acima, mapeamento do plástico na costa entre os EUA e Havai. Uma matéria do jornal britânico The Independent calcula haver no Oceano Pacífico uma “sopa de lixo” cujas dimensões equivalem a duas vezes o tamanho dos Estados Unidos (leia aqui, em inglês).

Bem, mas a novidade é que em 2010 a Fundação vai ampliar seu raio de busca também para o Atlântico, tanto ao Norte (Bermudas), como ao Sul — em agosto, deve partir uma expedição que cobrirá a corrente marítima na área, grosso modo, entre Rio de Janeiro e Cidade do Cabo. Para quem se interessar, o site diz que há “oportunidades” para tripulantes….mas antes talvez valha a pena dar uma olhada no blog de uma recente expedição por correntes marítimas no Oceano Índico, que percorreu o trajeto de Perth (Austrália) até Port Louis (Mauritius).
E do outro lado do mundo, um relatório “reservado” do governo alemão, publicado em fevereiro último pelo site da revista Der Spiegel (aqui a matéria completa), mostra que a situação do lixo no Mar do Norte (ali onde ficam Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Noruega e Dinamarca) é, também, de tirar o sono. Segundo o documento, 20 mil toneladas de lixo são jogadas no Mar do Norte por ano, sendo que as fontes principais desta poluição são navios e indústria da pesca.  A publicação aponta que um navio cargueiro produz em média 100 quilos de lixo por dia — e deixa a entender que o destino dos resíduos é o mar.
E aqui, de novo, o plástico é um problema grave: um levantamento citado pela Spiegel apontou que 93% dos “pássaros de mergulho” no Mar do Norte possuíam plástico em seus estômagos. Sentindo a fome “satisfeita”, as aves deixam de alimentar-se e podem adoecer.
Ao que parece peixes, aves — e segundo a lógica da cadeia alimentar, possivelmente nós mesmos — estão fazendo a “reciclagem” (entre haspas, evidentemente) do plástico.
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