Na The Economist, Lula infla a classe média

O presidente Lula assina um artigo na edição anual da The Economist “O Mundo em 2009”, com previsões para o próximo ano. Em meio a loas a seu governo (o que é natural, o artigo é dele), o presidente cita um dado, no mínimo, controverso: a de que a maioria da população brasileira (52%) pertence à classe média.

Embora o termo “classe média” seja subjetivo, a impressão que dá é que Lula inflou os números.

Segundo o “Atlas da nova estratificação social no Brasil” (ed Cortez), lançado em 2006, define-se como classe média a população que tem renda familiar mensal entre R$ 1.556,00 e R$ 17.351,00. Estão nesta faixa, segundo o estudo, 57,8 milhões de brasileiros, ou 31,% da população (33 milhões  menos do que afirma o presidente).

O Atlas foi organizado, entre outros, pelo economista Márcio Pochmann, que hoje preside o IPEA (do governo).

Os números de Lula na Economist talvez não coincidam com as estatísticas reais, mas como em política a versão pode valer mais do que o fato, é possível que “nos transformamos em um país de classe média” vire o mais novo mote presidencial.

Para o público da revista – corporativo e internacional – o dado soa bem, já que classe média é sinônimo de mercado e estabilidade política.

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Arquivado em Economia, Política

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